Vidraça

outubro 2011 / Vidraça / Vidraça_fevereiro_2011

Texto publicado na edição #130

Vidraça_fevereiro_2011

Romance perdido 1 Quando participou do Paiol Literário (Rascunho 127), a escritora Beatriz Bracher contou que, da época em que […]

> Por LUÍS HENRIQUE PELLANDA

Romance perdido 1
Quando participou do Paiol Literário (Rascunho 127), a escritora Beatriz Bracher contou que, da época em que atuava como editora, em São Paulo, trazia ainda um grande arrependimento. “Há um livro — não sei o nome do autor — que não me sai da cabeça, mais do que os livros que publicamos na Editora 34”, disse Beatriz, durante a entrevista mediada por mim no Teatro Paiol, em Curitiba, em outubro de 2010. “Era de um autor do Paraná, e se passava na cidade de Maringá, se não me engano.” Beatriz recordava que o romance era muito bom, mas que, mesmo assim, havia pedido ao seu autor que alterasse, nele, alguns pontos, medida que o adequaria à publicação pela 34. Depois de algum tempo, no entanto, alterações feitas, por um motivo qualquer a editora não quis ou não pôde mais publicá-lo. E isso ainda a fazia se sentir mal. “Aquela foi uma experiência muito ruim para mim”, explicou. “E, para o autor, pior ainda. Provavelmente aquele livro, de primeira, já podia ter sido editado, porque era bom. Isto é o duro de ser editor: está na sua mão. Esse cara poderia ter uma carreira de escritor, poderia ter outros livros, e por causa do que aconteceu, pode ter se desviado, desistido, desanimado.” Mas quem era o tal autor? E de que romance ela estava falando? Beatriz não lembrava.

Romance perdido 2
Meses mais tarde fui procurado, via e-mail, pelo autor do livro a que Beatriz Bracher se referia, o jornalista Edilson Pereira dos Santos. Na época, ele morava em Londrina, e seu romance se chamava A solidão do espantalho. Hoje, Edilson vive em Curitiba e trabalha no jornal O Estado do Paraná; não se dedicou profissionalmente à literatura. Quem quiser ler alguma coisa do autor, há dois de seus contos publicados no livro Concursos literários 2006, editado pelo Governo do Paraná, e que reúne os vencedores do Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio. Os trabalhos de Edilson selecionados para essa antologia são O maior pintor do mundo e O parceiro.

Bernardo Carvalho por Osvalter

A quarta Copa
A Copa de Literatura Brasileira, concebida por Lucas Murtinho, está de volta após uma lacuna de um ano. Por isso, a quarta edição da competição — cuja comissão organizadora é formada por Murtinho, Lu Thomé e Fernando Torres — porá na arena 16 romances brasileiros lançados em 2009 e 2010. O resultado do primeiro jogo — Como desaparecer completamente, de André de Leones x Olhos secos, de Bernardo Ajzenberg, apitado por Marcos Vinícius — sai no dia 28 de fevereiro. As outras partidas da primeira fase são: O filho da mãe, de Bernardo Carvalho x Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre; Azul-corvo, de Adriana Lisboa x Hotel Novo Mundo, de Ivana Arruda Leite; Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron x Os Malaquias, de Andrea Del Fuego; Uma leve simetria, de Rafael Bán Jacobsen x Algum lugar, de Paloma Vidal; Outra vida, de Rodrigo Lacerda x O gato diz adeus, de Michel Laub; Sinuca embaixo d’água, de Carol Bensimon x Elza, a garota, de Sérgio Rodrigues; e Nada a dizer, de Elvira Vigna x O livro dos mandarins, de Ricardo Lísias. Os demais juízes escalados são Fabio Silvestre Cardoso, Mauricio Raposo, Eric Novello, Vinicius Castro, Tamara Sender, Kelvin Falcão Klein, Bernardo Brayer, Antônio Xerxenesky, Leandro Oliveira, Simone Campos, Carlos André Moreira e Dr. Plausível, além de Fernando Torres e Lucas Murtinho. Para acompanhar a Copa, basta acessar www.copadeliteratura.com.br.

Bensimon vence o Gauchão
E o primeiro Campeonato Gaúcho de Literatura acabou na última semana de dezembro. A vencedora foi Carol Bensimon, com Pó de parede, que bateu, na final, Veja se você responde essa pergunta, de Alexandre Rodrigues. No Gauchão só concorreram livros de contos.

Souza Leão nos palcos
No mês passado, divulgou-se que o ator Cauã Reymond havia comprado os direitos para o cinema de dois livros do escritor carioca Rodrigo de Souza Leão, morto em 2009: Todos os cachorros são azuis e Me roubaram uns dias contados. Pois o trabalho de Rodrigo também deverá chegar aos palcos brasileiros ainda este ano, pelas mãos do poeta e ator Ramon Mello — curador da obra de Souza Leão — e da escritora Manoela Sawitzki. Ambos estão produzindo um espetáculo teatral baseado em Todos os cachorros são azuis. A peça terá direção de Michel Bercovitch. No elenco, estão Thiago Mendonça, Camila Rodhi, Natasha Corbelino, Bruna Renha e o próprio Ramon. “Além do texto da obra, pretendemos utilizar elementos biográficos — poemas, cartas, fotografias e trechos de livros — como matéria-prima para a construção dos personagens”, adianta o produtor. O espetáculo deve estrear no segundo semestre, no Teatro Maria Clara Machado, no Rio de Janeiro.

Leitora de Sheldon
No Brasil, livro lido por celebridade vira até manchete. Foi o caso do best-seller Um capricho dos deuses, de Sidney Sheldon, que chegou a estampar a capa do UOL mês passado. O motivo: a cantora inglesa Amy Winehouse, de passagem pelo Rio de Janeiro, havia sido fotografada lendo um exemplar do tal romance à beira da piscina do Hotel Santa Teresa.

Terceiro Ulisses brasileiro
A Companhia das Letras acaba de anunciar a terceira tradução brasileira do Ulisses de James Joyce. A nova edição sairá pelo selo Penguin-Companhia, em 2012, traduzida pelo curitibano Caetano Waldrigues Galindo e com coordenação editorial de Paulo Henriques Britto. Galindo recentemente publicou traduções de livros de Thomas Pynchon, Lou Reed, Ali Smith e James Agee, também para a Companhia. As outras traduções nacionais do Ulisses foram feitas por Antônio Houaiss e Bernardina Pinheiro.

Reabre a BMA
Reabriu no dia 25 de janeiro, como parte das comemorações dos 457 anos da cidade de São Paulo, a Biblioteca Mário de Andrade, fechada para restauro e modernização desde 2007. Considerada a segunda maior biblioteca do Brasil, a BMA conta com um acervo de 327 mil livros, dos quais 51 mil são raros. A reforma custou R$ 16,3 milhões, e foi realizada com recursos da Prefeitura de São Paulo e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Galeno na FBN
A ministra da Cultura Ana de Hollanda anunciou sua equipe no dia 21 de janeiro. Para a presidência da Fundação Biblioteca Nacional, ela escalou o jornalista e escritor Galeno Amorim, ex-secretário de Cultura de Ribeirão Preto na gestão de Antonio Pallocci.

FC do B
Lançada a nova edição do concurso literário FC do B — Ficção Científica Brasileira — Panorama 2010/2011. E a premiação traz uma ótima novidade: uma categoria especialmente criada para eleger os melhores ilustradores de FC do país. As inscrições são gratuitas. Informe-se no site www.fcdob.com.br.

Rascunho engrossando
A partir desta edição, a tiragem do Rascunho salta de 5 mil para 13 mil exemplares e passa a atender 7 mil assinaturas destinadas ao programa Mais Cultura do MinC, para pontos de leitura, cultura e bibliotecas públicas de todo o país. Com isso, o jornal também aumenta em mil exemplares a sua distribuição dirigida, inclusive para as 18 lojas do grupo Livrarias Curitiba que já recebiam o Rascunho gratuitamente.

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