Vidraça

outubro 2011 / Vidraça / Vidraça_abril_2011

Texto publicado na edição #132

Vidraça_abril_2011

  Só pode haver um Tanto se reclamou do Jabuti nos últimos meses que a Câmara Brasileira do Livro capitulou: […]

> Por LUÍS HENRIQUE PELLANDA

 

“A literatura é uma prostituta sagrada. Ela se oferece em sacrifício, ela vive esse sacrifício, mas de quem a sacrificou ninguém se lembra. Isso é que é absolutamente fascinante.” - Marco Lucchesi, em sua participação no Paiol Literário.


Só pode haver um
Tanto se reclamou do Jabuti nos últimos meses que a Câmara Brasileira do Livro capitulou: em março, pouco antes de se abrirem as inscrições para o certame deste ano, a CBL empreendeu uma mudança significativa — “a maior da história” — em seu esquema de premiação para 2011. Primeiro, aumentou-se o número de categorias, de 21 para 29. Depois, a novidade mais importante: para cada categoria, será anunciado apenas um vencedor, e não três, como vinha sendo feito anteriormente — sistema que propiciava inúmeras saias-justas entre editoras e escritores brasileiros (vide o exemplo da disputa entre Domingos Pellegrini e Milton Hatoum pelo título de melhor romance de 2001). O objetivo oficial da reforma, segundo o comunicado oficial da CBL, foi “cobrir de forma mais adequada os diversos segmentos do crescente mercado editorial brasileiro e dar maior destaque aos vencedores da premiação em cada categoria”. As inscrições se encerram no dia 31 de maio. Mais informações no site www.premiojabuti.org.br.

Na cama com Salinger
Durante seis meses de 1938, J. D. Salinger ocupou um quartinho modesto numa pequena universidade do interior da Pensilvânia. E até hoje a tal Ursinus College vem capitalizando o fato. Orgulhosamente, a instituição disponibiliza aos estudantes interessados uma bolsa de estudos de um ano que, além de oferecer 30 mil dólares ao contemplado, ainda permite ao eleito dormir no mesmo quartinho que, 73 anos atrás, embalou as noites do autor de O apanhador no campo de centeio. E a procura pela cama de Salinger só tende a crescer: depois da morte do escritor, em janeiro do ano passado, a universidade passou a divulgar a estratégia abertamente, sem medo de retaliações judiciais.

Prosa original na Grua
Atenção, prosadores do Brasil: durante o mês de maio, a editora Grua Livros estará recebendo originais para avaliação. O conselho editorial da Grua é formado pelos escritores João Anzanello Carrascoza, Rodrigo Lacerda e Carlos Eduardo de Magalhães. Mais informações no site.

A literatura de Sandy
Deu na Veja, na coluna GPS, de Paula Neiva, que Sandy é a mais nova celebridade a partir para uma aventura literária. De acordo com Paula, o primeiro conto da cantora — protagonizado por uma menina que busca encontrar a receita ideal de rosquinha de coco — será publicado no segundo volume da coleção Contente em ler (o primeiro reunia textos de cineastas). Prevista para maio, a publicação terá sua renda revertida a instituições de caridade, e também trará trabalhos de Lenine, Erasmo Carlos, Pitty e Rogério Flausino. Formada em Letras pela PUC-Campinas, Sandy é leitora de Machado e Clarice. A respeito do papel da literatura em sua vida, ela declarou, recentemente, numa entrevista para a minha coluna Leituras Cruzadas, aqui no Rascunho: “Costumo usar a literatura para aprender, para me entreter, relaxar etc. E percebo que, mesmo que apenas por prazer e entretenimento, ela é capaz de ampliar a nossa cultura, de nos colocar em contato com a língua, de ensinar, de mudar alguns paradigmas sobre a vida, o mundo, as pessoas e até sobre nós mesmos”.

Sexteto do crime
A Não Editora acaba de lançar o quarto volume da coleção Ficção de Polpa, dedicada à literatura de gênero e organizada por Samir Machado de Machado. Depois de compilar contos de ficção científica, fantasia e horror, a publicação agora se volta à literatura policial. Os contistas selecionados para essa edição foram Carlos Orsi, Carol Bensimon, Octávio Aragão, Rafael Bán Jacobsen e Yves Robert. Quem quiser comprar a antologia Ficção de Polpa — Crime! pode consultar o site.

U$ 200 mil para Skármeta
O escritor chileno Antonio Skármeta foi o vencedor do IV Prêmio Ibero-americano de Narrativa Planeta — Casa de América, que busca promover as narrativas em língua espanhola em todos os países ibero-americanos. Skármeta foi premiado pelo livro Los días de el arcoiris, que concorreu com outras 638 obras, e faturou uma bolada de 200 mil dólares.

Mata-mata literário
Até o fechamento desta edição, já haviam sido apitados quatro jogos da quarta edição da sempre bem-sucedida Copa de Literatura Brasileira. A comissão organizadora do mata-mata literário é formada por Lu Thomé, Fernando Torres e Lucas Murtinho, este último também idealizador do projeto. Os resultados até agora? Como desaparecer completamente, de André de Leones, venceu Olhos secos, de Bernardo Ajzenberg, numa partida arbitrada por Marcos Vinicius. O filho da mãe, de Bernardo Carvalho, superou, na opinião do juiz Fabio Silvestre Cardoso, o romance Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre. Para Maurício Raposo, Azul-corvo, de Adriana Lisboa, se saiu melhor que Hotel Novo Mundo, de Ivana Arruda Leite. E Eric Novello preferiu dar a vitória a Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron, num confronto direto com Os Malaquias, de Andréa Del Fuego. Confiram os próximos jogos desta primeira fase: Uma leve simetria, de Rafael Bán Jacobsen x Algum lugar, de Paloma Vidal; Outra vida, de Rodrigo Lacerda x O gato diz adeus, de Michel Laub; Sinuca embaixo d’água, de Carol Bensimon x Elza, a garota, de Sérgio Rodrigues; e Nada a dizer, de Elvira Vigna x O livro dos mandarins, de Ricardo Lísias. Acompanhe a copa.

O mais jovem imortal
No início do mês, a Academia Brasileira de Letras elegeu um novo ocupante para a cadeira número 15, que pertencia ao padre Fernando Bastos de Ávila, morto em novembro de 2010. O escolhido, com 34 dos 38 votos possíveis, foi o escritor, poeta, professor, tradutor e ensaísta carioca Marco Lucchesi, autor do recém-lançado O dom do crime. Com 47 anos, Lucchesi é o mais jovem da sua turma de imortais.

IMS premia ensaios
O Instituto Moreira Salles acaba de lançar o Prêmio de Ensaísmo Serrote. A comissão julgadora é formada por Flavio Pinheiro, Paulo Roberto Pires, Samuel Titan Jr., Flávio Moura, Francisco Bosco e Matinas Suzuki Jr., e os prêmios para os três primeiros colocados são de R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil. As inscrições se encerram no dia 30 de julho. Mais informações no site.

Benedito Nunes
Morreu no dia 27 de fevereiro, aos 81 anos, o escritor e filósofo paraense Benedito Nunes. Um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, Benedito foi autor de grande influência e obra extensa. Publicou, entre outros, os livros Oswald Canibal, O tempo na narrativa, Introdução à filosofia da arte, O drama da linguagem, Uma leitura de Clarice Lispector, No tempo do niilismo e outros ensaios, Crivo de papel, A clave do poético, O dorso do tigre e Crônica de duas cidades — Belém e Manaus, este último em parceria com Milton Hatoum.

Novidades na BPP
A Biblioteca Pública do Paraná anuncia o lançamento de dois novos eventos literários em Curitiba: a Oficina BPP de Criação Literária e o projeto Um Escritor na Biblioteca. Já no final de abril acontece a primeira das oficinas que a BPP vai oferecer ao público: o professor será o escritor e jornalista Humberto Werneck, que deverá ministrar aulas de crônica. Outros professores já confirmaram sua participação ao longo do ano, como Miguel Sanches Neto, Luiz Ruffato, Michel Laub e Marcos Damaceno. Já o Um Escritor na Biblioteca — reedição do projeto homônimo promovido pela BPP nos anos 1980, e que contou com a presença de Fernando Sabino, Antônio Callado, Ignácio de Loyola Brandão e Paulo Leminski, entre outros — está marcado para estrear no dia 3 de maio, no auditório da instituição. Seu primeiro convidado será Cristovão Tezza. A BPP promete para breve a divulgação das inscrições e da grade completa de eventos literários para 2011.

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