Vidraça

outubro 2013 / Vidraça / Vidraça

Texto publicado na edição #162

Vidraça

Poesia marginal em exposição… Para viabilizar a edição e fazer circular sua poesia, Ana Cristina Cesar, Cacaso, Chico Alvim, Chacal […]

> Por YASMIN TAKETANI

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Poesia marginal em exposição…
Para viabilizar a edição e fazer circular sua poesia, Ana Cristina Cesar, Cacaso, Chico Alvim, Chacal e outros poetas que ficaram conhecidos como “geração marginal” adaptavam e trocavam métodos entre si: mimeógrafo; estêncil; xerox; envelopes e sacos em vez de encadernação; papéis de baixo preço e considerados toscos faziam parte da produção de seus livros. Cerca de sessenta dessas publicações estão reunidas na exposição Poesia marginal — Palavra e livro, em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro até 10 de novembro.

Como a alcunha sugere, essa produção ficava à margem das editoras: marcada pela incorporação de elementos que iam desde a cultura pop, o futebol e as artes plásticas ao teatro, ela rompia com os limites tradicionais da poesia, usando versos insolentes e a fala cotidiana. Assim, mais do que ser a forma possível, o livro então construído tinha relação direta com os versos que se fazia à época: “(…) opunha-se de cara ao livro caro, ao objeto requintado da alta cultura, às soluções caras do esnobe mercado editorial. O livro barato era um objeto político: antiburguês”, explica Eucanaã Ferraz, curador da exposição.

…e livro
Esse mergulho na poesia marginal fica registrado também em livro do IMS. O catálogo da exposição traz artigo de Frederico Coelho; texto do curador Eucanaã Ferraz; portfólio das obras expostas; entrevista publicada em 1976, na revista José, com Heloisa Buarque de Hollanda, Ana Cristina Cesar, Geraldo Eduardo Carneiro e Eudoro Augusto; entrevista inédita com Heloisa Buarque e os poetas Chico Alvim, Chacal e Charles; cronologia; e breve bibliografia.

Novo Rumos 1
Singularidade, dinamismo e organicidade pautam o novo formato do Rumos Itaú Cultural, programa dedicado a mapear e incentivar a criação, produção e difusão cultural e artística brasileira. Se antes o Rumos definia apoios a projetos com base em áreas específicas de expressão (música, literatura, teatro, artes visuais, cinema e audiovisual), a partir desta edição as fronteiras estão extintas: as propostas podem ser tanto multidisciplinares quanto voltadas a um único segmento, em quaisquer expressões artísticas e/ou intelectuais, em qualquer tipo de suporte, formato, área artística ou mídia. Também a comissão julgadora acompanha essa mudança, sendo agora única (não mais segmentada), interdisciplinar e ativa, servindo não só como avaliadora mas mediadora dos projetos nas etapas de desenvolvimento.

Novo Rumos 2
No caso da literatura, o programa contemplava apenas trabalhos voltados à crítica, produção e adaptação literária, alternando-os a cada edição. Agora, todas estas modalidades podem vir a ser contempladas em uma única edição do Rumos; para além delas, não há restrições: na inscrição, o proponente declara sua forma de participação e o que precisaria para viabilizar o projeto. Desta forma, um blog, projeto de pesquisa ou crítica, residências de criação, um aplicativo para literatura, a organização e preservação de acervo, edição de livro em qualquer suporte, realização de oficina ou simpósio, uma publicação (revista, jornal) de literatura ou a criação de um livro-objeto, vinculando artes plásticas e literatura, entre outras possibilidades, podem concorrer às bolsas de até R$ 400 mil. As inscrições para a 16ª edição do programa vão até 14 de novembro.

 

Veronica Stigger. Foto: Renato Parada

Veronica Stigger está entre os autores selecionados pela FBN para representar o Brasil em Frankfurt

 

Frankfurt, finalmente
Tanto se falou, e chegou a hora de a literatura brasileira tomar o caminho de Frankfurt. Escritores de prosa, poesia, crítica, biografia, quadrinhos, ensaio, infanto-juvenis e obras técnicas compõem o time oficial da Fundação Biblioteca Nacional que irá representar o país homenageado na Feira de Frankfurt, de 9 a 13 de outubro — de veteranos como Ignácio de Loyola Brandão, João Ubaldo Ribeiro e Francisco Alvim, a nomes da nova geração, como Michel Laub, Andrea del Fuego, Ferréz e Veronica Stigger (foto). Editoras, agentes literários, novas traduções e antologias da prosa brasileira também embarcam, a exemplo de Entre as quatro linhas – Contos brasileiros sobre futebol, que sai na Alemanha pela Assoziation A. Organizada por Luiz Ruffato, a antologia traz contos de Mário Araújo, Ronaldo Correia de Brito, Flávio Carneiro, Tatiana Salem Levy, Carola Saavedra, Cristovão Tezza e do editor do Rascunho, Rogério Pereira, entre outros.

Bienal de Alagoas
De 25 de outubro a 3 de novembro, acontece em Maceió a 6ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Realizada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), por meio de sua editora, a Edufal, a Bienal terá em sua programação Affonso Romano de Sant’Anna, Cristovão Tezza, Dênis de Moraes, Frei Betto, Milton Hatoum e o português Luis Serguilha, entre outros autores.

 

Xico Sá é convidado da edição especial do Paiol Literário na Bienal de Pernambuco

Xico Sá é convidado da edição especial do Paiol Literário na Bienal de Pernambuco

 

Paiol em Recife
Neste mês, o Paiol Literário — promovido pelo Rascunho, em parceria com o Sesi PR — recebe o escritor Xico Sá (foto) numa edição especial na 9ª Bienal de Pernambuco, no primeiro dia do evento, que acontece de 4 a 13 de outubro. Nascido no Ceará, em 1962, Xico Sá começou a carreira de jornalista no Recife, e atuou muitos anos como repórter investigativo. É colunista da Folha de S. Paulo, autor de Chabadabadá (2010) e do romance Big Jato (2012), entre outros. O resultado do bate-papo poderá ser conferido na edição de novembro do Rascunho.

Poesia em 140 toques
Vão até 5 de outubro as inscrições para o Prêmio TOC140A — desafio do qual resultará a antologia Os cem melhores do TOC140 e uma seleção de dez autores para votação online, aberta ao público, dos quais sairão os três primeiros colocados e vencedores dos prêmios de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil, respectivamente. Promovido pela Fliporto, que acontece de 14 a 17 de novembro em Olinda (PE), pode ser acompanhado em www.fliporto.net.

 

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Revistas literárias
Novas edições de revistas literárias chegam às livrarias, com material variado em ficção, resenhas, ensaios e entrevistas. Na semestral Dicta & Contradicta (Civilização Brasileira), que debate temas diversos relacionados à cultura e ao pensamento, o poeta e ensaísta Antonio Cicero assina artigo sobre Selvageria, barbárie e civilização, e o ensaísta Vinícius de Castro debate paranóia e ficção na literatura de Pynchon, DeLillo, Foster Wallace e Nabokov. A Granta (Alfaguara) dedica sua nova edição aos melhores jovens escritores britânicos, da mesma maneira que elegeu seus melhores autores brasileiros com menos de quarenta anos; em meio a nomes pouco familiares, Zadie Smith e Steven Hall entram para a seleção. A Palavra, revista do Sesc, traz dossiê sobre Arnaldo Antunes, ficção inédita e ensaio sobre a integração da literatura com outras artes. Contos de Marçal Aquino, Cezar Tridapalli, Natércia Pontes e César Aira são destaque na edição “U” da Arte e Letra: Estórias (Arte & Letra). Também de Curitiba (PR), mas voltada à produção local, a Jandique, em seu terceiro volume, aposta em novos prosadores, como Yuri Al’Hanati e Oneide Diedrich, e no clássico Paulo Leminski.

Temporada de prêmios 1
Foram anunciados os finalistas da 11ª edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, nas categorias poesia, romance e conto/crônica. Os doze autores concorrem ao prêmio de R$ 50 mil reais para cada categoria, e ao Grande Prêmio Portugal Telecom 2013, que oferece mais R$ 50 mil ao vencedor final.

Nesta segunda etapa, o Júri Intermediário que avaliou as 63 obras classificadas na etapa anterior foi composto pelos atuais curadores Selma Caetano, Antonio Carlos Secchin, Luiz Ruffato e Marcelino Freire; e por André Seffrin, Cristovão Tezza, Ítalo Moriconi, Leyla Perrone-Moisés e pelos colunistas do Rascunho João Cezar de Castro Rocha e José Castello. Os vencedores do prêmio serão conhecidos em novembro. Confira a lista de finalistas: em Poesia, Formas do nada, de Paulo Henriques Britto (Companhia das Letras); Porventura, de Antonio Cicero (Record); Sentimental, de Eucanaã Ferraz (Companhia das Letras); e Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas (Cosac Naify). Romance: A máquina de madeira, de Miguel Sanches Neto (Companhia das Letras); Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera (Companhia das Letras); O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe (Cosac Naify); e O sonâmbulo amador, de José Luiz Passos (Alfaguara). Conto/Crônica: A verdadeira história do alfabeto, de Noemi Jaffe (Companhia das Letras); Essa coisa brilhante que é a chuva, de Cíntia Moscovich (Record); O tempo em estado sólido, de Tércia Montenegro (Grua); e Páginas sem glória, de Sérgio Sant’Anna (Companhia das Letras).

Temporada de prêmios 2
Pouco depois do anúncio do Portugal Telecom, o Prêmio Jabuti também divulgou sua lista de finalistas, com dez obras em cada uma das 27 categorias. Enquanto os quatro autores finalistas de Conto/Crônica no Portugal Telecom se repetem no Jabuti, somente Daniel Galera e seu Barba ensopada de sangue volta a aparecer na categoria Romance do prêmio da CBL (ainda que Valter Hugo Mãe não possa concorrer).

Também chama a atenção a presença de jovens autores — como Luisa Geisler (Quiçá), Rafael Gallo (Réveillon e outros dias), Caio Riter (Vento sobre terra vermelha) e Elisa Andrade Buzzo (Vário som) — e obras que foram bem recebidas pela crítica — O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam, de Evandro Afonso Ferreira; O céu dos suicidas, de Ricardo Lísias; Era meu esse rosto, de Marcia Tiburi; Aquela água toda, de João Anzanello Carrascoza; e O amor e depois, de Mariana Ianelli — entre os finalistas. O prêmio para o vencedor em cada categoria é de R$ 3,5 mil, e será revelado no próximo dia 17. Em novembro, serão conhecidos os vencedores do livro do ano de ficção e de não-ficção, que receberão mais R$ 35 mil cada um. O conselho curador do prêmio é formado por José Luiz Goldfarb, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes e Márcia Lígia Guidin. Os jurados serão conhecidos apenas na cerimônia de entrega do prêmio.

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