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maio 2014 / Eu recomendo / Uma confraria de tolos

Texto publicado na edição #169

Uma confraria de tolos

Ignatius J. Reilly, protagonista de Uma confraria de tolos, é um Quixote que ainda espera por reconhecimento. Uma verdadeira injustiça, porque […]

> Por RASCUNHO

Ignatius J. Reilly, protagonista de Uma confraria de tolos, é um Quixote que ainda espera por reconhecimento. Uma verdadeira injustiça, porque em certos momentos do livro de John Kennedy Toole, Ignatius parece o neto de Quixote que suplantou a verve nonsense do antepassado com altas doses de cultura e um egocentrismo sem limites, o traço mais interessante da personalidade do herói em questão. Ignatius é glutão, preguiçoso e pesado demais para fazer qualquer coisa além de teorizar contra o caos da modernidade, a abjeta cultura pop e a desonestidade do mundo — sobra até para os beatniks. É um intelectual incompreendido, que ainda mora com a mãe e nunca teve PIS. Mas a maré muda e Ignatius é obrigado a arranjar emprego. Primeiro como vendedor de cachorro-quente, depois em uma fábrica de calças onde se mete em um escândalo e acaba procurado pela polícia. No final, aos vinte e tantos anos, foge de casa. Basicamente, é isso. Mas quando se tem um Ignatius é o suficiente. Até para ganhar um Pulitzer.

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Luiz Rebinski é jornalista e editor do jornal Cândido.

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