Rodapé

julho 2018 / Rodapé / Um anão está preso na mala (1)

Texto publicado na edição #219

Um anão está preso na mala (1)

Sabrina é muito possessiva e sente forte ciúme de Paula

> Por RINALDO DE FERNANDES

O anão, de Rubem Fonseca, é a história de um bancário desempregado que, atropelado por Paula, uma mulher rica, casada com um banqueiro, termina sendo hospitalizado para serem postos pinos de metal em uma perna lesionada no atropelamento. No hospital, o bancário conhece Sabrina, que ele acha ser uma servente que se finge de enfermeira. Passa a manter relações sexuais com ela. Sabrina é muito possessiva e sente forte ciúme de Paula, a quem chama de “ociosa fútil” ou ainda “dondoca assassina”. Embora mantendo relações com Sabrina, o bancário é apaixonado por Paula, que lhe deu atenção e lhe forneceu condições para o tratamento após o atropelamento. Um dia, decidindo sair com Paula, defronta-se, à entrada do sobrado onde mora, com Sabrina, que, investindo contra ele para tentar detê-lo, termina desabando na escada, vindo a falecer. O bancário inventa uma história para o delegado e se safa de um processo. Ele e Paula passam a ter uma relação intensa, até que uma foto nua de Paula cai nas mãos de um anão, o único amigo do bancário. O anão aí tenta extorquir Paula, o que deixa o bancário enfurecido. Com extrema violência, o bancário mata o anão asfixiado e depois o coloca dentro de uma mala. Sem Sabrina, sem Paula, que o deixa por estar grávida, e sem o amigo anão, o personagem-narrador acaba ficando sozinho no seu apartamento. Só ele e a mala contendo o corpo do anão. Pelo visto, são quatro os personagens que se destacam no conto: o bancário desempregado, Sabrina, Paula e o anão. Do bancário falo mais adiante. Sabrina é possessiva e agressiva, tenta controlar o bancário, conduzir as ações dele. Termina o sufocando. Paula demonstra culpa e compaixão pelo bancário que ela atropelou. Tem posses e se utiliza de estratagema, de ardil, para pagar as despesas do tratamento do bancário. Mantém uma relação extraconjugal com o bancário e torna-se, mesmo, cúmplice dele no caso da morte de Sabrina. O anão é muito pobre, tendo até mesmo que, conforme diz o narrador, “urubuzar” o lixo. Malicioso, desleal, termina ludibriando o bancário ao tentar extorquir Paula. É morto por vingança.

Print Friendly