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outubro 2012 / Rodapé / Tom Jobim: o amor e a natureza (5)

Texto publicado na edição #150

Tom Jobim: o amor e a natureza (5)

Tom Jobim traz também, como indicávamos na coluna passada, um olhar deliciado, deliberadamente contemplativo, sobre a natureza, que parece bem […]

> Por RINALDO DE FERNANDES

Tom Jobim traz também, como indicávamos na coluna passada, um olhar deliciado, deliberadamente contemplativo, sobre a natureza, que parece bem próxima e é flagrada em detalhes — um olhar que vaga à toa, que capta a beleza em si da flora, a poeticidade dos elementos (água e ar, em especial), como em Chovendo na roseira: “Olha, está chovendo na roseira/ Que só dá rosa, mas não cheira/ A frescura das gotas úmidas/ Que é de Luísa/ Que é de Paulinho/ Que é de João/ Que é de ninguém// Pétalas de rosa carregadas pelo vento/ Um amor tão puro carregou meu pensamento/ Olha, um tico-tico mora ao lado/ E passeando no molhado/ Adivinhou a primavera/ Olha, que chuva boa, prazenteira/ Que vem molhar minha roseira/ Chuva boa, criadeira/ Que molha a terra/ Que enche o rio/ Que limpa o céu/ Que traz o azul”. (Em Copacabana — e apenas para lembrar aqui a canção de João de Barro e Alberto Ribeiro, conhecida na voz de Dick Farney, da geração pré-Bossa Nova —, há um recorte parecido. O registro é mais urbano, mas com uma visão que também enaltece os elementos, ao captar o “eu” poético, a formosura das águas amplas, murmurantes, do mar — e a metáfora é feliz — “eterno cantor”: “Existem praias tão lindas cheias de luz/ Nenhuma tem o encanto que tu possuis/ Tuas areias, teu céu tão lindo/ Tuas sereias sempre sorrindo/ Copacabana, princesinha do mar/ Pelas manhãs tu és a vida a cantar/ E à tardinha o sol poente/ Deixa sempre uma saudade na gente”. A praia é aqui estampada como um verdadeiro cartão postal.)

CONCLUI NA PRÓXIMA EDIÇÃO.

 

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