Vidraça

dezembro 2018 / Vidraça / Sertão na Flip

Texto publicado na edição #224

Sertão na Flip

Notas sobre literatura e mercado editorial

> Por Jonatan Silva | Coluna

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Euclides da Cunha, conhecido por Os sertões — que retrata o conflito de Canudos —, foi escolhido como autor homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2019. A jornalista Fernanda Diamant é a curadora desta edição, substituindo Josélia Aguiar — que ficou à frente do evento por dois anos. A escolha de Cunha reflete a importância da não ficção no cenário brasileiro, ainda pouco afeito ao jornalismo literário. Diamant declarou que a próxima edição terá como foco um debate menos ficcional e mais centrado na memória, na biografia e nos relatos reais.

Mais amado que nunca
E por falar em Josélia Aguiar, a jornalista é a autora da biografia de Jorge Amado, publicada pela Todavia. Aguiar teve acesso a documentos da família, correspondências até agora inéditas e realizou inúmeras entrevistas com pessoas próximas ao autor. Josélia foi responsável também por uma extensa pesquisa sobre Amado, realizada no Brasil e também na Europa.

Sucesso
A campanha de financiamento coletivo da editora Aleph para publicar uma edição comemorativa dos 50 anos de 2001: uma odisseia no espaço tornou-se o empreendimento editorial mais importante do Catarse. Com meta batida em 121%, e mais de R$ 450 mil arrecadados, o projeto é recordista e mostra que o interesse por livros não morre. Os valores de apoio variavam de R$ 180,00 e R$ 6.500,00.

Portas fechadas
A virada de outubro para novembro marcou três anúncios retumbantes de gigantes varejistas de livro do Brasil. A Cultura anunciou o encerramento completo das atividades da FNAC no Brasil; e o pedido de recuperação judicial. A Saraiva divulgou nota em que comenta o fechamento de 20 lojas. Para tentar amenizar a questão, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) tenta buscar soluções na renegociação das dúvidas. O SNEL, porém, já afirmou que não apoia o plano de recuperação extrajudicial da Saraiva. Para a entidade, a rede precisa recorrer à Lei das Falência, em vez de buscar solução em uma estratégia própria.

Para driblar a crise
Para tentar vencer a crise das livrarias, a Companhia das Letras criou um canal de contato direto com o leitor: o Socorro, Companhia. A estratégia busca vencer o desabastecimento causado pela falta de pagamento. O serviço funciona pelo e-mail socorro@companhiadasletras.com.br ou pelo WhatsApp (11) 94292-7189. Outra estratégia da Companhia foi a inserção de todo o seu catálogo em um marketplace próprio no Submarino. Todos os títulos da editora podem ser adquiridos diretamente, sem os varejistas tradicionais. A contrapartida, porém, é que as obras seguem o preço de capa. Não há descontos. Somente à Companhia das Letras, a Livraria Cultura deve 7,5 milhões. Para a Sextante, a dívida chega a 3,7 milhões e para a Record o valor é de R$ 3,5 milhões.

Jabuti independente
À cidade, de Mailson Furtado, foi o grande vencedor do Jabuti deste ano. Publicação independente, a obra foi escolha como Livro do Ano — categoria mais importante da premiação — e Melhor Livro de Poesia. O trunfo de Furtado é grande. Sem ter nenhuma grande editora por trás, o autor conseguiu vencer os entraves do mercado editorial e desbancar escritores tarimbados. “É uma obra que fala sobre o meu lugar, uma cidade com menos de 50 anos e da qual não se tem nenhum registro bibliográfico”, comentou, referindo-se à cidade cearense de Varjota, fundada em 1985. O clube dos jardineiros de fumaça, de Carol Bensimon, levou o prêmio na categoria Romance e Maria Fernanda Elias Maglio teve Enfim, imperatriz escolhido na categoria Conto.

São Paulo das mulheres
Ana Paula Maia venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Livro do Ano com Assim na terra como embaixo da terra (Record). Na categoria Melhor Livro — Autor Estreante com menos de 40 anos, a vencedora foi Aline Bei, com O peso do pássaro morto (Nós). Cristina Judar venceu com Oito do sete (Reformatório), na categoria Melhor Livro do Ano — Autores com mais de 40 anos.

Breves
• Stan Lee, criador de diversos heróis da Marvel, morreu aos 95 anos em 12 de novembro. Lee sofria de pneumonia e apresentava problemas de visão.

• O escritor curitibano Carlos Machado lançou no começo de novembro o seu mais recente livro, a novela Esquina da minha rua (7Letras).

• A Companhia das Letras reuniu os livros Pastoral americana, Casei com um comunista, A marca humana e Complô contra a América na caixa A América de Philip Roth. As quatro obras estão divididas em dois volumes.

Complô contra a América, por sinal, será transformada em série pela HBO.

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