Vidraça

julho 2019 / Vidraça / Prêmio Sesc

Texto publicado na edição #231

Prêmio Sesc

Notas sobre literatura e mercado editorial

> Por Jonatan Silva | Coluna

Foram anunciados os vencedores do Prêmio Sesc de Literatura deste ano. Na categoria Contos, o escolhido é João Gabriel Paulsen, de apenas 19 anos, com O doce e o amargo. Entre os romances, O legado da nossa miséria, de Felipe Holloway, 30 anos, levou o prêmio. Foram quase 2 mil obras inscritas, número recorde para a premiação. A avaliação final ficou a cargo de Ana Miranda, Tércia Montenegro, Veronica Stigger e Julián Fuks. Os vencedores terão suas obras publicadas e distribuídas pela Record. Além disso, participam da Flip, entre 10 e 14 de julho. 

Só por Jesus
A editora paulistana Sapopemba publicou em junho a biografia do grupo Jesus and Mary Chain, um dos percursores do shoegaze e do noise pop. A edição brasileira de Barbed wire kisses a história do Jesus and Mary Chain, escrita por Zoe Howe — que já assinou livros sobre Stivie Nicks e Florence + The Machine — tem prefácio inédito de Douglas Hart, membro fundador da banda. A Sapopemba conseguiu também fotos inéditas da banda — que não integram a edição original do livro — e que foram cedidas por Hart.

Novo clube
A Rádio Londres anunciou a publicações dos títulos que irão compor o Clube da Rádio, serviço de assinatura criada pela editora. Em julho será publicado Canto da planície, de Kent Haruf; para agosto está previsto O desvio, de Gerbrand Bakker; No final da tarde, de Haruf, sai em setembro. A editora comprou os direitos de publicação de três clássicos de J. G. Ballard, autor de polêmico Crash. São eles: High-rise, Super-Cannes e Hello America. 

Anos felizes
A Todavia publicou em junho o segundo volume dos Os diários de Emílio Renzi, cujo personagem central é alter ego do escritor argentino Ricardo Piglia. Os anos felizes mostra o autor já embrenhado na literatura portenha e apresenta uma Argentina em furor entre a morte de Perón e o golpe militar que duraria pouco mais de uma década.

Correspondência milionária
As cartas de amor trocadas entre o cantor, compositor e poeta Leonard Cohen, morto em 2016, e Marianne Ihlen, imortalizada na canção So long, Marianne, foram arrebatadas em um leilão por US$ 876 mil, algo em torno a R$ 3,5 milhões. Por coincidência, os dois — que já estavam separados havia muitas décadas — morreram de leucemia com pouquíssimos meses de diferença. 

Tempos turvos
Enquanto o Brasil é só incertezas nos primeiros meses do governo Bolsonaro, a historiadora Lilia Moritz Schwarcz publica Sobre o autoritarismo brasileiro. Conhecida por ser a biógrafa de Lima Barreto, Dom Pedro II e por ter escrito, ao lado de Heloisa Starlin, Brasil: uma biografia, alcançou 6º lugar na lista de mais vendidos na categoria de não-ficção do site PublishNews. Na prática, isso significa que a obra vendeu quase 2 mil exemplares.

Ironia
Ricardo Lísias publicou no começo de junho, logo após o vazamento das conversas entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol, o terceiro volume da série de e-books Diário da catástrofe brasileira, que busca escrutinar a política durante os anos de governo Bolsonaro — e, por isso, é atualizada constantemente. O Nazifascismo se consolida ficou em 9º lugar entre os livros mais vendidos na categoria Política na Amazon, ou seja, 26 posições acima de Olavo de Carvalho, principal ideólogo do bolsonarismo, com O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. (A apuração foi realizada às 21h do dia 14 de junho de 2019.)
Breves
• A poesia completa de Hannah Arendt deve ser publicada no Brasil ainda neste ano. Ich selbst, auch ich tanze: Die Gedichte reúne poemas escritos entre as décadas de 1920 e 1960, e será lançado pela Relicário.

• Nietzsche ganhou mais uma biografia em português: Eu sou dinamite, de Sue Prideaux, é um retrato polêmico, apresentando o autor de Assim falava Zaratrusta como misógino e genioso.

O livro dos prazeres, de Clarice Lispector, foi transformado em filme e traz Simone Spoladore no papel de Lóri e o argentino Javier Drolas, o Martín de Medianeras, como Ulisses. A direção é de Marcela Lordy.

• Escrito em parceria com Eunice Ramos, Rio Paraguai: da nascente à foz, de José Hamilton Ribeiro, narra a viagem da dupla pelo rio Paraguai em seus quase 3 mil quilômetros e que rendeu cinco episódios para o programa Globo Rural

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