Dom Casmurro

fevereiro 2015 / Dom Casmurro / Poemas de Adriane Garcia

Texto publicado na edição #178

Poemas de Adriane Garcia

…SE FICAR O BICHO COME Era um bezerro fracote Por sorte, à fortuna da roda Deixou de ser bife à […]

> Por RASCUNHO

…SE FICAR O BICHO COME

Era um bezerro fracote
Por sorte, à fortuna da roda
Deixou de ser bife à mesa

Cresceu
Virou boi de piranha.

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O QUE É

Assim como em todos os dias
Os peixes nadam
Os pássaros voam
Os mamíferos têm filhos
Dependurados em tetas
Assim como nascem e morrem células
E se reproduzem bactérias
Assim como sai vida
De ovos
E da terra brotam
Sementes
Eu sofro
Ser de minha natureza.

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EGO

Se ferisse como a pomba branca
No chão deitada, o dorso vermelho
Calma, quieta, sem culpar o mundo
Apenas poupando o ar que resta.
Mas não, sangra como búfalo
Como touro espanhol, de ventas
Quentes, sangue pisado
Durando mais que uma luta.

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NECROSE

Tem coisa que dá errada,
É certo
É saber escrever, dar ponto
Final com linha cirúrgica
Torcer que feche e ajudar
Não abrindo com os dedos
Ferida
Mas cheia de apego, a memória
Quer a sobra do amor
E gangrena.

 

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Adriane Garcia

Adriane_Garcia

Nasceu em Belo Horizonte (MG), em 1973. É historiadora, funcionária pública e atriz. Venceu o Prêmio Paraná de Literatura em 2013, na categoria poesia, com Fábulas para adulto perder o sono. Os poemas aqui publicados pertencem a O nome do mundo, a ser lançado em breve.