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maio 2012 / Rodapé / O namoro das páginas: literatura e história (final)

Texto publicado na edição #145

O namoro das páginas: literatura e história (final)

Para Hayden White, tanto a ficção como a historiografia são cognitivas nos resultados — pois, sendo tipos de representação da […]

> Por RINALDO DE FERNANDES

Para Hayden White, tanto a ficção como a historiografia são cognitivas nos resultados — pois, sendo tipos de representação da realidade, possibilitam uma imagem, um conhecimento desta. Daí ele chamar a atenção para o que há de ficção em toda representação do mundo que se quer realista (a da historiografia) e o que há de realidade em toda representação que se propõe fictícia (a do romance): “Quer os eventos representados num discurso sejam interpretados como partes diminutas de um todo molar, quer como possíveis ocorrências dentro de uma totalidade perceptível, o discurso tomado na sua totalidade como imagem de alguma realidade comporta uma relação de correspondência com aquilo de que ele constitui uma imagem. É nesse duplo sentido que todo discurso escrito se mostra cognitivo em seus fins e mimético em seus meios. E isto vale também para o discurso mais lúcido e aparentemente mais expressivo, para a poesia tanto quanto para a prosa e até para aquelas formas de poesia que parecem querer iluminar apenas a própria ‘escrita’. Neste aspecto, a história não é menos uma forma de ficção do que o romance é uma forma de representação histórica” (in: As ficções da representação factual. In: Trópicos do discurso: ensaios sobre a crítica da cultura. São Paulo: EDUSP, 1994, p. 138). Hayden White, em síntese, reconhece que, nos fins, literatura e história são tipos de narrativa que nos possibilitam uma imagem do real, nos dão um entendimento dele; e, nos meios, são imitação ou representação desse mesmo real (já que “todo discurso escrito se mostra cognitivo em seus fins e mimético em seus meios”). E se a sua teoria mostra muito bem o que há de literatura na história, é certo que ele fica devendo uma avaliação mais profunda do que há de história na literatura.

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