Ensaios e Resenhas

março 2014 / Ensaios e Resenhas / Neruda e a maravilhosa fábrica de chocolates

Texto publicado na edição #167

Neruda e a maravilhosa fábrica de chocolates

O que é o homem? Quais são os seus desejos? Se o leitor e a leitora despirem a curiosidade e […]

> Por FLÁVIO RICARDO VASSOLER

Pablo Neruda por Vitor Vanes

Pablo Neruda por Vitor Vanes

O que é o homem? Quais são os seus desejos?

Se o leitor e a leitora despirem a curiosidade e a dúvida, encontrarão esse homem genérico sobre uma placa de Petri, sob as lentes de um microscópio. A imaginação será reduzida ao bisturi do conceito. A vontade será aprisionada pela fotografia, ela jamais será liberta por uma sequência cinética — um filme, uma narrativa, a polissemia arredia de um poema.

Mas a Inquisição persiste e persegue. As perguntas despontam com o dedo em riste:

— O que é o homem? Quais são os seus desejos?

Acossado pela dúvida que não admite encruzilhadas, o réu Pablo Neruda (1904-1973) a princípio encolhe os ombros como as margens exíguas de um córrego em meio ao qual as crianças sorriem. O poeta bem sabe que as respostas são frágeis como a luz do inverno. A poesia insinua que a nudez requer o véu para ser nua. A alma salta sobre a carne, os pêlos ficam eriçados, mas o juízo só admite uma única resposta, a sentença.

— O que é o homem? Quais são os seus desejos?

Assim falou Pablo Neruda:

— O que é o homem quando não deseja?

Assim falou Pablo Neruda sob o punho de Augusto Pinochet:

— O que é o homem quando não pode desejar?

Há alguns anos, me deparei com o Livro das perguntas (São Paulo: Cosac Naify, 2008): Neruda conseguiu convencer Peter Pan a se fantasiar de eu-lírico. As perguntas do livro não são dirigidas apenas às crianças. Além de serem dirigidas pelas crianças, as perguntas de Peter Neruda insuflam ímpeto no adulto obrigado a calçar meias para caminhar pela campina.

E eis que duas facções visceralmente antípodas pretendem pronunciar a última palavra sobre a natureza humana: do lado direito, os adultófilos; do lado esquerdo, os infantilistas.

Para os adultófilos à direita, o homem caminha sobre a criança, a idade da razão é a ruptura mais cabal com a infância, como uma ponte dinamitada que não mais liga a ilha ao continente.

Para os infantilistas à esquerda, a criança caminha sob o homem, a idade da razão é a continuação mais cabal da infância, como uma ponte pênsil que só faz ligar a ilha ao continente.

Adultófilos à direita e infantilistas à esquerda não estão em condições de entender que homem e criança caminham lado a lado.

O homem é quando deseja. Os desejos são a fenomenologia do homem, o transbordamento de sua vontade, sua expressão em fatos, o caráter tangível — ainda que fugidio — da identidade indômita do homem.

Assim falaram Pablo Pan e Peter Neruda:

— Infantilistas à esquerda e adultófilos à direita não estão em condições de entender que o homem se transforma e permanece idêntico a si mesmo.

Heráclito, Sócrates e Dostoiévski prolongam a dúvida.

Como é possível que o homem não possa banhar-se no mesmo rio de sua infância?

Como é possível que, após um turbilhão de perguntas que se alimentam de si mesmas, o homem ainda se encontre tão frágil e insciente?

Se Deus não existe e tudo é permitido, como é possível deixar de ver que Deus se insinua pelas frestas da dúvida?

Questionar a si mesmo
Mas por que as perguntas incomodam tanto os juízes em suas várias máscaras de poder? Um velho pensador alemão — o barbudo do século 19 que mais influenciou o século 20 — chegou a propor que a formulação de uma pergunta já pressupõe os caminhos da resposta. Ora, pensar de modo dubitativo implica repensar o real, questionar a si mesmo, repensar o real em si mesmo, questionar a si mesmo no real. Mas será mesmo possível vivenciar o poder como algo transitório? (O trânsito, o transe?) Os juízes em suas várias máscaras de poder não querem entrever as contiguidades entre a lagarta e a borboleta — eles só querem ver o abandono definitivo da crisálida. O poder em suas várias máscaras de juiz sentencia que a anatomia deve dissecar o desejo. O poeta, adulto infante, versa que não.

O Livro das perguntas também poderia se chamar A dúvida que vem a cavalo. Quem já cavalgou sabe que a estabilidade — nome mais cotidiano da certeza — abraça Cláudia, a claudicante, a trôpega. A queda.

O poeta, neném bípede, insinua que as perguntas do livro precisam ser relidas de olhos bem fechados — que a memória as capture para que sejam entoadas. Como se, ao dizê-las, a voz manuseasse as perguntas e descobrisse novos sentidos — e velhos ressentimentos.

“Por que Cristóvão Colombo não pôde descobrir a Espanha?”

Os adultos de hoje mal se lembram de que os adultos das grandes navegações temiam que o além do horizonte fosse um abismo que viesse a tragar os hereges que ousassem desafiá-lo. O mundo era imaginado como uma massa de terra informe sobre o enorme casco de uma tartaruga mitológica. (Quem ou o que sustentava a tartaruga era obra de Deus, isto é, do mistério.) Certo dia, o inquieto Colombo convida a sobrinha para um passeio pela costa espanhola. Cansados à iminência do crepúsculo, os dois se sentam sobre uma rocha contra cujo silêncio a bruma só faz colidir. Colombo abraça Catarina e lhe mostra um navio que se aproxima da fronteira do horizonte.

— O que você acha que vai acontecer quando o barco tocar o horizonte?

O silêncio temerário de Catarina faz o tio desbravador deduzir que a sobrinha também absorve por osmose a noção de que a terra é plana. Para Colombo, a terra, circular como uma laranja, nos apresenta o enigma da curvatura do horizonte. Assim, para incitar a curiosidade de Catarina, Colombo pede que a sobrinha espreite o barco uma última vez antes de lhe fechar os olhos.

— Agora, conte até vinte!

Aos onze Colombo já se dá por satisfeito e permite que Catarina volte a ver por entre as frestas de seus dedos.

— Mas o barco sumiu, tio, meu Deus, todos caíram no abismo, estão todos mortos, Deus tenha piedade!

Eis que Colombo, a reboque de sua perspicácia, pede que a sobrinha lhe dê um beliscão.

— Mas, tio, para quê?

— Vamos, me belisque!

Catarina capricha; Colombo urra.

— Pois muito bem: se suas unhas me deixaram roxo e se meu grito te assustou, nós dois estamos vivos, certo?

— Tio, você bebeu antes do passeio?

Colombo dá um sorriso de soslaio antes de responder à sobrinha com uma nova pergunta:

— Se estamos vivos e se eu já desapareci no horizonte várias vezes a bordo de barcos como aquele que você imagina ter sido tragado pelo abismo, como é que estaríamos juntos aqui e agora? Ora, Catarina, talvez a reta se curve além do horizonte…

Ao descobrir a América, Colombo redescobriu a Espanha. É pena que a colonização tenha lançado mão da catequese para enquadrar o outro. Quando reificado, o evangelho não está em condições de entender que os incas também tinham dúvidas sobre a humanidade dos espanhóis. Assim, os senhores originais dos Andes jogavam cadáveres espanhóis sobre as águas para ver se os alienígenas flutuariam como costumava acontecer com os incas que expiravam. Cusco, a capital incaica, tem uma raiz etimológica tão etnocêntrica quanto o ímpeto de Colombo. Em quechua, Cusco significa umbigo — o umbigo do inca, o umbigo do mundo, a vanguarda da civilização que, desafortunadamente, desconhecia a pólvora. Cristóvão Colombo não pôde descobrir a Espanha, porque o navegador se descobriu espanhol sobre o umbigo de Cusco.

“As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos? Ou serão rios invisíveis que correm para a tristeza?”

Dilúvio mítico
Enquanto navegava pelo Titicaca, eu não conseguia acreditar que aquela imensidão líquida e sobrelevada era de fato um lago. Ficava imaginando o dilúvio mítico de Noé a represar as águas entre os cumes dos Andes. Um lago marítimo, mar de água doce. O Titicaca zomba da fronteira entre Peru e Bolívia, apesar de o nacionalismo peruano dizer “Titi para o Peru, caca para os bolivianos”. Nosso barco nos leva a ilhas pênseis de totora, sobre as quais os aymara lutam para sobreviver. A 3.800 metros acima do nível do mar, o sol fustiga a pele como a desafiar os invasores sem asas. Compro uma camisa aymara — o tecido tem a consistência dos sacos que levam grãos. Espreito o horizonte latino que Colombo submeteu. Súbito, os Andes me trazem a vertigem de que a imensidão do Titicaca não pode se expandir. O lago-mar está confinado pelas montanhas, ele não pode desbravar os planaltos e planícies, a existência terrestre de Peru e Bolívia depende do confinamento do Titicaca, a não ser que os homens evoluamos à condição de anfíbios.

O Titicaca, então, chora e chove dentro de si mesmo. Se Newton e a gravidade transformassem o lago ilhado em um rio, a Bolívia teria saída para o mar, todos viveríamos em palafitas, as ruínas de Machu Picchu se transformariam em jangadas de pedra.

— O que é a tristeza?

Caca responde a Titi:

— A impossibilidade de desaguar, a necessidade de estancar um rio invisível. A imensidão ilhada do Titicaca sofre o castigo dos deuses: como o azul sobrelevado das águas ousou tocar o céu, o lago fica preso entre o Pacífico e o Atlântico sem poder conhecer a irmandade das águas e o êxtase da pororoca.

“Por que os imensos aviões não passeiam com seus filhos?”

Os bombardeiros estão para as pipas, assim como o presidente norte-americano Harry Truman está para Hiroshima e Nagasaki.

“A fumaça fala com as nuvens?”

Não, a fumaça as asfixia.

“Como agradecer às nuvens essa abundância fugidia?”

Os aymara, sobreviventes autóctones do Titicaca, sabem que a pesca pressupõe a repetição. O ritual. O rito tenta ludibriar a areia do tempo ao repetir o passado como se ele fosse ainda uma vez aqui e agora. E amanhã. Um consolo algo dúbio: as nuvens voltarão a chover — elas chovem a mesma água desde o princípio dos tempos —, mas chegará um dia em que eu não poderei mais agradecer pela chuva. É por isso que o rito quer sobreviver ao eu; é por isso que a tradição demanda o “crescei e multiplicai-vos”. O eu finito se dilui na infinitude da perpetuação.

“Se já estou morto e não sei, a quem devo perguntar as horas?”

Faz anos que uma máxima de Ludwig Wittgenstein (1889-1951) assombra minha imaginação. “Os limites da minha língua são os limites do meu mundo”. Se assim é, pergunto-lhes:

— Quem é o sujeito da frase “acabei de morrer?”

Não me refiro apenas à elipse que pressupõe o “eu”. Refiro-me à dor do homem finito ao encontrar um veio de esperança na contradição linguístico-existencial que pressupõe um sujeito para além da própria morte. Um náufrago para além do próprio naufrágio. Pablo Neruda flerta com a eternidade e transfigura a máxima de Wittgenstein. À luz do Livro das perguntas, a lápide “os limites da minha língua são os limites do meu mundo” transforma-se em “as fronteiras da minha língua são as fronteiras do meu mundo”. Euclides foi questionado por Newton que foi superado por Einstein. Cada época — mesmo que por meio de seus representantes mais vanguardistas — forma e, sobretudo, conforma as fronteiras da imaginação. Cada inovação, ou melhor, cada revolução pressupõe o parricídio. O alargamento das bordas da imaginação desvela uma zona de medo, a penumbra, o não totalmente iluminado. Aquele que insiste em perguntar caminha, por sua conta e risco, para além de suas próprias categorias lógicas e imaginativas.

Consta que o escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880) certa vez teria imaginado múltiplas personagens para sua própria vida — e múltiplas vidas para sua própria personagem. Beduíno do deserto em um século sem data, cortesã de Gêngis Khan, Barão de Versalhes, Cavaleiro da Távola Redonda, inca com receio de Colombo, aymara diante do Titicaca — Pablo Neruda e Salvador Allende à iminência de Pinochet. Consta também que críticos materialistas teriam remetido os desejos de Flaubert à sua posição de classe. Como burguês que vivia da renda de suas propriedades, a polissemia do desejo de Flaubert seria a expressão fenomenológica do ócio que sua abastança material lhe permitia. Transcender a si mesmo, por essa chave analítica, seria equivalente a referendar os limites de nossa sociedade quando o indivíduo sente os aguilhões mais frouxos em meio a seus privilégios.

Parto da consciência
Mas eis que Pablo Neruda se insinua ainda uma vez entre o consenso que pretende tornar unívoca a fonte de onde jorra a arte. Por que os desejos difusos e tresloucados de Flaubert diriam respeito apenas ao horizonte de nossas expectativas? Colombo e os incas já não nos ensinaram que a curvatura do horizonte nos faz renascer? A dúvida é o parto da consciência. Pablo Flaubert bem poderia dizer:

— E se o que eu desejo ainda não tiver nome? E se o que eu desejo não couber em nossas categorias? E se, para imaginar o meu desejo, eu tiver que pensar a contrapelo de mim mesmo?

Pablo Neruda entende Gustave Flaubert. Neruda viveu a iminência da utopia que chegou a imaginar uma sociedade outra em meio à qual a aristocracia de Flaubert pudesse ser coletivamente compartilhada e insuflada.

“É verdade que as esperanças devem regar-se com orvalho?”

É verdade que as esperanças devem regar-se com a sede.

“Por que se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?”

O outono é o interregno, no man’s land, verdadeira terra de ninguém entre o verão policromático e o inverno monocórdio. Árvores de folhas cadentes: o pedestre em uma rua outonal e algo silenciosa de Moscou reconhece seus passos pelo estalido das folhas que se esfacelam. A folha outonal é a metamorfose do desejo: frágil e persistente, una e cindível, amarela sobre o asfalto cinza, indiferente — e impermeável.

Assim como Adão e Eva não se mataram quando foram expulsos do Éden, as folhas não se suicidam quando se sentem amarelas. As folhas deixam de ser coadjuvantes dos galhos. A folha estilhaçada se confunde com o protagonismo da liberdade trêmula. Se é preciso se perder para então se encontrar em um novo patamar, o devir da consciência pressupõe o luto e o renascimento — o inverno entre o outono e a primavera.

Mas Neruda, encouraçado por seu corpo-cadafalso, preocupa-se com a ressonância de sua obra — sua esperança versificada, o ímpeto das estrofes, o amor em cantos e odes, a invectiva contra o sofrimento, o elogio da loucura, a apologia da fronteira, a confissão de seu subsolo. (Suas muitas inconfidências…) Pablo então se volta para o lado: a cama está vazia, Sofia não quis acordá-lo, a ausência côncava da amante ainda está quente. Eis que a dúvida do poeta engatilha o temor contra a têmpora da própria poesia:

— Que dirão de minha poesia os que não tocaram em meu sangue?

Neruda nos leva a Atenas. A Acrópole paira onipresente sobre o centro da cidade. A gruta que abriga a prisão de Sócrates dá de cara para a Acrópole que o encarcerou. No sopé da acrópole, há um palco teatral que desponta em meia-lua; ao redor do semipalco, elevam-se assentos que se expandem como os degraus de arquibancadas. Imaginemos Neruda a recitar sua dúvida entre os helenos. Eles ouviam o poeta e se embebiam de suas palavras como se fosse possível tocá-las, como o canto dos pássaros que tomam nossos ombros como ninhos. Eu me sento junto ao palco, mas já não consigo tocar o sangue de Neruda. É preciso recitá-lo para que Neruda reencarne, assim como Aladim deve esfregar a lâmpada mágica para que o gênio liberto possa realizar seu desejo.

O palco ateniense de Neruda é coberto por ladrilhos opacos — o tempo e o oxigênio agem silenciosamente. O poeta, adulto infante, logo imagina que a criança tentaria caminhar pelo palco sem pisar sobre as arestas dos ladrilhos — as fronteiras de mundos insólitos que, caso transpostas, poderiam liberar as mais temíveis criaturas. A perenidade da poesia, então, se vê confrontada pela fugacidade do poeta — e dos leitores. Mas eis que Pablo Neruda se lembra da primeira terapeuta que tentou lhe pregar o Sermão da Estepe.

— Veja, Pablo, hoje conversaremos por 50 minutos. Não mais do que isso. Aqui está o seu chocolate preferido. Você poderá comê-lo quando quiser. Agora, por exemplo. Mas, se conseguir esperar até o fim da nossa conversa para comê-lo, eu lhe darei mais um chocolate. O que vai ser, Pablo?

Norma, a terapeuta de Neruda, coage o poeta mirim a escolher entre a cigarra e a formiga.

— O que vai ser Pablo?

Pablito só faz rascunhar em seu bloquinho de notas — a primeira pista sobre a qual aterrissam os zeppelins de sua poesia. Norma começa a ficar impaciente e interpela Neruda com o chocolate em riste:

— E então, Pablo, o que vai ser?

O poeta olha bem para o chocolate sobre a palma da mão esquerda de Norma. A mão direita da terapeuta retém o outro chocolate 50 minutos mais saboroso. Então, após assinar e datar sua obra, às 05:60, Pablo Neruda recita para Norma o título de sua primeira poesia-barricada:

— A maravilhosa fábrica de chocolates.

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Pablo Neruda

Pablo_Neruda_167

Nasceu em 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Seu pseudônimo (o nome verdadeiro era Neftalí Ricardo Reyes Basoalto) foi escolhido para homenagear o poeta tcheco Jan Neruda. Em seu livro de estréia, com apenas 20 anos, Crepusculário (1923), já se assinou Pablo Neruda que, em 1946, passou a usar legalmente. Sua fama tornou-se maior com a publicação de Vinte poemas de amor e uma canção desesperada (1924). Alternando a vida literária com a diplomática, Pablo Neruda era o embaixador chileno na França quando ocorreu o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende. De volta ao Chile, sofreu perseguições políticas e morreu pouco depois, sendo enterrado em sua casa de Isla Negra, ao sul do Chile. Em sua obra destacam-se Residência na Terra (1933), España en el corazón (1937, inspirado na Guerra Civil Espanhola), Canto geral (1950), Cem sonetos de amor (1959), Memorial de Isla Negra (1964), A espada incendiada (1970) e a autobiografia póstuma, Confesso que vivi (1974). Em 1971, Neruda recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e o Prêmio Lênin da Paz. Antes havia sido agraciado com o Prêmio Nacional de Literatura (1945). Morreu em 1973.