Vidraça

fevereiro 2018 / Vidraça / Mistérios em Búzios

Texto publicado na edição #214

Mistérios em Búzios

Notas sobre literatura e mercado editorial

> Por Jonatan Silva | Coluna

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Búzios, no litoral carioca, receberá a partir deste ano um encontro anual de literatura policial, o Búzios Noir, que terá a curadoria de Raphael Montes, autor de Jantar secreto e Suicidas, e contará com a participação de escritores de diversos países de América Latina. O projeto, idealizado por Mário Paz, pretende ser referência no gênero. Apesar de Búzios ser lembrada pelas belezas naturais e pela passagem de Brigitte Bardot, a cidade foi palco de um dos crimes mais chocantes do país: o assassinato da socialite Ângela Diniz, morta pelo companheiro Doca Street em dezembro de 1976. A data do Búzios Noir ainda não foi divulgada.

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Beijo interrompido
Carlos Heitor Cony, morto em 5 de janeiro, estava para lançar Operação Condor, uma reedição ampliada de O beijo da morte, livro-reportagem escrito em parceria com a jornalista Anna Lee sobre a morte de JK, Jango e Carlos Lacerda. Prevista para sair pela Nova Fronteira, a nova edição está atualizada com a exumação do corpo de Jango. Segundo a assessoria de imprensa da editora, “Anna colheu novas informações, viajou, entrevistou diferentes pessoas, pesquisou documentos e está finalizando o original para entregar à Nova Fronteira”.

Adeus ao sobrevivente
Morreu em 4 de janeiro, aos 85 anos, o israelense Aharon Appelfeld, considerado umas principais vozes da literatura hebraica. Sobrevivente do holocausto, Appelfeld perdeu a mãe nos campos de concentração e ficou duas décadas sem ver o pai. No Brasil, a editora Perspectiva publicou Expedição ao inverno e a Manole lançou Badenheim 1939. 

Prêmio Sesc
Vão até o dia 16 deste mês as inscrições para a 15ª edição do Prêmio Sesc de Literatura. O concurso é nacional e aberto a autores inéditos nas categorias romance e conto. Como prêmio, as obras vencedoras serão distribuídas e publicas pela Record. Os mais recentes vencedores são João Meirelles Filho com os contos O abridor de letras e José Almeida Júnior com o romance Última hora. Inscrições: sesc.com.br/premiosesc/.

Da Foz à Tordesilhas
A editora Foz, responsável por lançar obras de nomes como Gonçalo M. Tavares, Ruy Castro, Marcelo Rubens Paiva e Francisco Bosco, anunciou no começo de janeiro o fim de suas atividades. A jornalista e editora Isa Pessoa, fundadora da casa, encerrou o ciclo da Foz e revelou que já inicia um novo trabalho na Tordesilhas, braço literário do Grupo Alaúde. Segundo Antonio Cestaro, diretor-geral do grupo, a chegada de Isa deve dar fôlego comercial ao selo. Entre as primeiras mudanças, a Tordesilhas deve aumentar seu catálogo e não se dedicar exclusivamente à ficção. Não há tempo a perder, de Amyr Klink, que seria lançado pela Foz chegou às livrarias estampando as duas editoras. Outro lançamento que deve estremecer o mercado é a biografia de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, e que será escrita pelo jornalista Tom Cardoso. 

Contra o Fujimori
No final de 2017, após o ex-presidente peruano Alberto Fujimori receber um indulto, Mario Vargas Llosa e outros 230 escritores do Peru assinaram uma carta na qual criticam o ato. Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000, derrotando Llosa nas eleições daquele ano, teve uma postura autoritária, dissolvendo o Congresso e fechando o Poder Judiciário e o Ministério Público. Segundo o texto, “Fujimori foi condenado por violação de direitos humanos e corrupção. Ele foi responsável por um golpe de Estado e pelo desmantelamento de nossa institucionalidade”.

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Anti-Trump
Fogo e fúria, do jornalista Michael Wolfe, será lançado no Brasil pela Objetiva, selo do Grupo Companhia das Letras. Previsto para março, o livro apresenta os bastidores da polêmica eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Wolfe, experiente em assuntos relacionados à Casa Branca, por meio de um contato privilegiado com o primeiro escalão do governo norte-americano, retrata um cenário de desesperos, vaidades, assédios e desorganização.

Quase Nobéis
Os arquivos da Academia Sueca, responsável pelo Prêmio Nobel, recentemente abertos, revelaram que Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade estiveram entre os favoritos para levar o prêmio de literatura em 1967. Jorge Luis Borges também estava listado entre os possíveis vencedores. Naquele ano, o guatemalteco Miguel Ángel Astúrias foi laureado pela Academia.

Breves

• Moby Dick, clássico de Herman Melville, ganha nova adaptação em quadrinhos. A empreitada ficou a cargo de francês Christophe Chabouté e o livro será publicado pela Pipoca & Nanquim.

• Foram anunciados os vencedores do 3º Prêmio Nacional Cepe de Literatura: Ricardo Braga (contos), Paulo Schmidt (romance), Rita Isadora Pessoa (poesia), Renata Penzani (infantojuvenil). Cada autor recebe R$ 20 mil.

• A Rádio Londres anunciou em dezembro a publicação de seu terceiro título de John Williams. Augustus acompanha a trajetória de Caio Otávio, conhecido mais tarde como Augustus, fundador do império romano.

• Duncan Jones, filho de David Bowie, anunciou um clube de leitura dedicado aos livros prediletos do pai. Quem quiser participar tem até 1º de fevereiro para ler Hawksmoor, de Peter Ackroyd. Ainda que ninguém saiba exatamente como o grupo funcionará, é possível que as experiências de leituras aconteçam pelo Twitter de Duncan Jones.

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