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maio 2019 / Rodapé / Memórias acadêmicas (2)

Texto publicado na edição #229

Memórias acadêmicas (2)

A importância de Graciliano Ramos e Machado de Assis

> Por RINALDO DE FERNANDES

Comecei a ler com mais rigor Graciliano Ramos, Machado de Assis e Dalton Trevisan no Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará, por forte influência do professor e contista Moreira Campos. Lembro que um dos primeiros contos de Machado de Assis que li com muita atenção foi A causa secreta. Eu conversava, meio assustado, com o professor sobre o Fortunato, protagonista do conto. E o professor sorria dos meus sustos. Foi nessa altura que, também por influência de Moreira Campos, li um romance fundamental para a minha formação: São Bernardo, de Graciliano Ramos. Foram leituras, as de Machado e as de Graciliano, que levei para a minha vida, para as minhas aulas anos depois na Universidade Federal da Paraíba, para as pesquisas que fiz para compor ensaios e organizar livros. No meu mestrado, numa disciplina com o professor Neroaldo Pontes de Azevedo, doutor pela USP, retomei o São Bernardo — e escrevi o ensaio, baseado no estudo de Luiz Costa Lima, A reificação de Paulo Honório revisitada. Ao elaborar o ensaio, fui bem orientado pelo professor Neroaldo, que me forneceu um ótimo material de pesquisa. Depois, a partir de anotações para aulas, produzi uma resenha sobre A causa secreta, em que examinei o conto cena a cena. Mas tanto o ensaio como a resenha tiveram, como indicado, débitos com Moreira Campos, mestre insigne, incentivador de boas leituras. Ainda graduando na Universidade Federal do Ceará, passei a escrever para jornais de Fortaleza: para O Povo e para o Diário do Nordeste. Estes jornais tinham suplementos literários que saíam aos domingos. E comecei a colaborar com eles: publicava resenhas e eventualmente crônicas e entrevistas. Entre as entrevistas, destaco as que realizei com professores do Curso de Letras que também eram escritores, como a que fiz com o contista Moreira Campos e ainda a com o poeta Artur Eduardo Benevides, que, além de ter sido meu professor numa disciplina sobre o Regionalismo de 30, me orientou num PIBIC. As entrevistas com Moreira Campos e com Artur Eduardo Benevides tomaram as páginas do suplemento Cultura de O Povo. Também fiz entrevista, estampada no DN Cultura (suplemento do Diário do Nordeste), com Gilberto Mendonça Teles, da PUC-RJ, quando ele esteve nos Encontros literários da Universidade Federal do Ceará. Na entrevista Mendonça Teles falou, entre outras coisas, da vanguarda natural (a que existe em todas as épocas e que é conduzida pelos grandes artistas), confrontando-a com a vanguarda histórica.

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