Dom Casmurro

janeiro 2019 / Dom Casmurro / Max Rippon

Texto publicado na edição #225

Max Rippon

Quatro poemas de Max Rippon

> Por Max Rippon

Foto: Alain Darré

Foto: Alain Darré

Tradução: Adriana Lisboa

Tout tourne et chavire autour de moi
Je me demande jusqu’à quand
Le centre va demeurer au centre de tout

Tudo gira e soçobra ao meu redor
Eu me pergunto até quando
O centro vai permanecer no centro de tudo

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Et voici le vesou que pisse la tige
Et le latex qui me colle aux doigts
Et le café qui cheville
Mon réveil
Et le cacao trop amer
Pour ma faim
Tout se confond et me perd
J’invente un blues
Au delta de mes doutes
Et je m’accepte dandy
Claudiquant
Fécondant les pleines lunes

E eis aqui o caldo que a cana urina
E o látex que me cola aos dedos
E o café que cavilha
Meu despertar
E o cacau por demais amargo
Para a minha fome
Tudo se confunde e me perde
Invento um blues
No delta das minhas dúvidas
E me aceito dândi
Claudicante
Fecundando as luas cheias

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Trouver sa voie avec sa foi pour boussole
Tracer sa route aux détours des mornes obscurs
Élever la voix à troubler le silence de ce tumulte d’acier
Encontrar sua via tendo sua fé por bússola
Traçar sua rota nos desvios dos morros obscuros
Erguer a voz para perturbar o silêncio deste tumulto de aço

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La roue tourne sur elle-même
Mes journées errent de champ en champ
Et le jus acide que ma peau exsude colle mes haillons à ma chair
Et la roue tourne encore
Tourne encore dans son bain de graisse aux tons argentés
Et moi seul reconnais l’échine courbe qui
Supporte mon corps décharné et si las
A roda gira sobre si mesma
Meus dias erram de campo em campo
E o sumo ácido que minha pele exsuda cola meus trapos à minha carne
E a roda segue girando
Segue girando em seu banho de graxa com tons prateados
E só eu reconheço a espinha curva que
Suporta meu corpo descarnado e tão exausto

Foto: Alain Darré

Foto: Alain Darré

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