Dom Casmurro

dezembro 2011 / Dom Casmurro / Martín Araujo

Texto publicado na edição #123

Martín Araujo

Tradução: Ronaldo Cagiano Passeando por Roma a cidade pintada morta entregue “somos os conquistadores” vomitaste como quem toma em goles […]

> Por MARTÍN ARAUJO

Tradução: Ronaldo Cagiano

Passeando por Roma

a cidade pintada morta
entregue

“somos os conquistadores”
vomitaste
como quem toma
em goles a bastilha

íamos
pequenas bombas
chutando cabeças chatas
entoando garatujas
estribilhos

um tema inédito
de duendes
ou de inferno 18

•••

Toda a noite até que saia o sol

parecia beethoven
o que assobiava
sobre o pote de sorvete
enquanto colocavas o uniforme
atrás de um banco da calçada
repassando desculpas
para escapar da meia falta

mascara a veia da testa
mãos aerossol
a gravata amarrotada do trem
zumbimos e passamos
como quem ruge a cara munch

novena sinfonia remixada
o nariz agarrado ao vidro
mostrando-se aos que esperam
vermelhos no terminal
os lábios
com um resto sambayon de freddo

•••

Estátuas de sal

as tuas criaturas
no banheiro
esperando essa estação
sem brisas nem trem
as vias contra a cabeça
orelhas de chumbo
abertas

escuta
todos temos uma voz a esta hora
uma que não sabemos
que não queremos cantar

lançou dos alto-falantes
como um gorjeio doente

onde estão teus filhos esta vez?

•••

Fotografias de Tókio

em uma caixa
flutua sem fundo
a porcelana da memória
27 polaroids
um relógio de corda
o haicai que começava
paisagem coração bonsai
dois bilhetes brancos
um selo
a cidade nevada

o amor
cinza peregrina
visitou arranha-céus parques museus
ruínas instantâneas

a caixa conserva
um vulcão extinto
e um rim de água

•••

Buenos Aires é somente pedra

a vida muito velha}
vinho a derreter-se
o túnel linyera
em frente às vias

em mitre
carregavam a neve
em um carrinho
caídas da videira

promessas de chuva
e avisos de raios
antes das sirenes
de nevoeiro e baforada

antes do caminhão
da crônica da tv

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