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fevereiro 2018 / Entrevistas / “Férias é mudar o lugar onde leio”

Texto publicado na edição #conteúdo on-line

“Férias é mudar o lugar onde leio”

Para Tatiana Salem Levy, é impossível se distanciar dos livros, assim como a literatura nunca se afasta da vida

> Por Jonatan Silva

Tatiana_Salem_Levy

Elogiada pelo escritor britânico Ian McEwan, Tatiana Salem Levy foi eleita, em 2012, pela revista Granta um dos 20 melhores jovens escritores brasileiros. Além de contos e romances, escreveu os livros infantis Curupira Pirapora e Tanto mar, que levaram os prêmios da FNLIJ e da ABL, respectivamente.

Segundo Tatiana, tirar férias não faz parte de sua rotina. “Não tenho aquela coisa de dizer: agora paro tudo, não penso em mais nada. Acho impossível não pensar. O que é possível, isso sim, é não escrever”, comenta.

Como parte do especial de férias, o Rascunho conversou com a escritora sobre seus hábitos nas férias e como lidar com a rotina de trabalho.

• Como são as férias para um escritor? Esse é um momento de leitura ou distanciamento dos livros?
Um escritor nunca se distancia dos livros. Eu diria até que, num certo sentido, nunca tem férias. Ao menos não da literatura. Pode ter férias de outro trabalho, caso o tenha, mas da literatura, não. A literatura não se distancia da vida, escrever é estar atento, ler, imaginar, ou seja, coisas que fazemos o tempo todo, em casa, na rua ou numa praia. Férias, para mim, é mudar o lugar onde leio.

• Você usa as férias como um período criativo? Como é a sua dinâmica nesse momento?
Como não tenho outro trabalho a não ser ler e escrever, sinto que nunca tenho férias (ou que nunca trabalho). Não tenho aquela coisa de dizer: agora paro tudo, não penso em mais nada. Acho impossível não pensar. O que é possível, isso sim, é não escrever. Então, férias talvez sejam aquele momento em que estou longe do computador, mas não dos livros, nem dos bloquinhos de anotações.

• Existe algum momento marcante das suas férias na infância que reverberou na sua literatura?
A infância toda reverbera no que escrevo. Acho que, sobretudo, aquela coisa dos três meses sem fazer nada, aquele tempo longo, esticado. E as férias na praia, passar o dia com sal e areia no corpo, essa sensação aparece muito nos meus livros.

• Houve algum autor que você descobriu nas leituras de férias e que acabou por se tornar essencial na sua formação como leitor?
Eu não tenho a menor ideia do que li nas férias ou fora das férias, não faço essa distinção.

• Em Paraíso a questão da memória é o fio condutor. Que lembrança de férias você ainda carrega consigo?
As de que eu falei acima, do tempo alargado, em que parece caber tudo, e da praia.

• Que livro você indicaria como leitura para as férias?
Aceitando o conceito de leitura de férias — que é um conceito que não me agrada —, eu recomendaria, para quem ainda não leu, os quatro volumes da Série Napolitana da Elena Ferrante.

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