Dom Casmurro

fevereiro 2012 / Dom Casmurro / Fausto Amadigi

Texto publicado na edição #109

Fausto Amadigi

Último poema O mais suave ruído seria suficiente para despertá-la movimento de ar som da luz atravessando a vidraça da […]

> Por FAUSTO AMADIGI

Último poema

O mais suave ruído
seria suficiente para despertá-la
movimento de ar
som da luz atravessando a vidraça da varanda
qualquer suspiro ou trânsito de nuvem alta
eco de palmas no portão em uma casa distante
passarear de uma lembrança ou vôo de curruíra.
Qualquer ruído no mundo
seria demais para seu sono
até o riscado da idéia no papel
quando em mim acordou este poema.

 

Curto-circuito

I.
Tudo que tenho que anotar,
anoto aqui, neste espaço
com esta letra e este pincel.
Que eu esperava encontrar
naquela literatura?
Talvez um circuito
onde as idéias pudessem correr
e correndo fossem velozes
e velozes fossem capazes
e de capazes, saíssem deste espaço
desta letra, deste pincel
desta cabeça
onde estacionaram da última vez.

II.
Voltou-me a pergunta circuita
ora, que eu esperava
encontrar naquela literatura?
Recomecei o livro
foi um alívio que as palavras
ainda estivessem disponíveis.
Mas agora eu queria saber
nas entrelinhas.

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