Dom Casmurro

fevereiro 2012 / Dom Casmurro / Elizabeth Bishop

Texto publicado na edição #108

Elizabeth Bishop

Tradução: Carmen L. Oliveira   Grudados grudados noite afora Grudados grudados noite afora Ficam os amantes. Eles se reviram juntos […]

> Por ELIZABETH BISHOP

Tradução: Carmen L. Oliveira

 

Grudados grudados noite afora

Grudados grudados noite afora
Ficam os amantes.
Eles se reviram juntos
No seu sono.

Unidos como duas páginas
Em um livro
Cada um lendo o outro
No escuro.

Cada um sabe tudo
O que o outro sabe
Aprendido de cor
Da cabeça aos dedos dos pés.

 

Canção do café-da-manhã

Meu amor, minha redenção,
Teus olhos são de um azul assombroso.
Beijo teu rosto folgazão,
Tua boca com tempero de café
Ontem à noite dormimos juntas
Hoje te amo tanto
Como vou suportar partir
(como logo preciso, eu sei)
Para a cama feia da morte
Naquele lugar frio, asqueroso,
Dormir lá sem ti,
Sem tua respiração suave,
Teu calor ao longo da noite, ao longo do corpo
A que estou acostumada?
— Ninguém quer morrer;
Diz que é mentira!
Mas não, sei que é verdade
É tão-somente um caso comum;
Não há o que fazer.
Meu amor, minha redenção
Teus olhos são de um azul assombroso
Um azul instantâneo e persistente.

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