Vidraça

julho 2017 / Vidraça / Droga nazista

Texto publicado na edição #207

Droga nazista

Notas sobre literatura e mercado editorial

> Por Jonatan Silva | Coluna


O envolvimento de Hitler e da cúpula do regime nazista com o ocultismo — e outras práticas pouco convencionais — não é novidade para ninguém. O jornalista Norman Ohler, em High Hitler (Crítica), no entanto, se propõe a mostrar uma faceta ainda desconhecida do Führer: a de usuário de drogas. Durante cinco anos, Ohler pesquisou documentos e realizou diversas entrevistas para descobrir que Hitler recebeu, por intermédio de seu médico pessoal, Theodor Morell, doses de 74 substâncias diferentes, uma delas semelhante à heroína. Em um dos capítulos mais reveladores, Ohler levanta a hipótese do uso de metanfetaminas pelos soldados nazistas. A estratégia do Reich era manter os combatentes atentos e com o sentimento de invencibilidade e euforia. 

David Grossman

Na corda bamba
O israelense David Grossman venceu o tradicional prêmio Man Booker International com A horse walks into a bar — ainda inédito no Brasil. A obra, que conta de maneira confessional a rotina de um comediante de standup em Israel, foi chamada de “ambiciosa e arriscada” pelos organizadores do concurso. Recheado do sarcasmo que perpassa a produção de Grossman, o livro é uma sátira sobre a sociedade e seu processo de “autodecomposição”.

Prêmio Paraná
Estão abertas as inscrições para Prêmio Paraná de Literatura 2017. Serão selecionados livros inéditos, de autores de todo o país, em três categorias: Romance, Contos e Poesia. A novidade deste ano é uma reformulação no sistema de inscrições, que passa a ser totalmente online. O vencedor de cada categoria receberá R$ 30 mil e terá sua obra publicada pelo selo Biblioteca Paraná, com tiragem de 1 mil exemplares. Os premiados também receberão 100 cópias de seus livros e poderão, mais tarde, reeditar os trabalhos por outras editoras. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site bpp.pr.gov.br.

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Camões
Aos 81 anos, o poeta português Manuel Alegre foi o grande vencedor do Prêmio Camões, a mais importante premiação literária entre os países lusófonos. “O prêmio é literário, mas é difícil não considerar a atuação política de Alegre. Ele criou uma literatura de combate, mesmo sem ter essa intenção”, comentou Paula Morão, uma das juradas. O autor de Praça da canção e O canto e as armas receberá 100 mil euros, cerca de 318 mil reais.

Adaptação controversa
Os herdeiros da norte-americana Harper Lee (1926–2016) anunciaram a adaptação de O sol é para todos para graphic novel. As ilustrações ficarão a cargo de Fred Fordham, artista por trás da recente transposição da obra de Philip Pullman para o formato. Clássico dos Estados Unidos, O sol é para todos já vendeu mais de 40 milhões de cópias desde seu lançamento em 1960.

Plágio, Dylan?
A escolha de Bob Dylan como Nobel de Literatura no ano passado foi polêmica e gerou muita controvérsia no meio literário. Para acalorar ainda mais discussão sobre o gênio do folk, a colunista do site Slate, Andressa Pitzer, acusou Dylan de ter plagiado parte de seu discurso para o prêmio. Segundo a jornalista, o cantor teria roubado trechos de texto da página SparkNotes, espécie de guia online de estudos. As primeiras suspeitas surgiram depois de o escritor Ben Greeman afirmar que as citações que Dylan fez de Moby Dick, obra-prima de Melville, não existiam no original.

BREVES

• O escritor, músico e compositor curitibano Carlos Machado lançou o disco DESencontro, inspirado na obra do francês Charles Baudelaire, em especial pela figura da dama passante — presente no clássico As flores do mal.

• A venda de livros no Brasil caiu 4,8% de janeiro a abril de 2017, aponta a Pesquisa Mensal do Comércio, encomendada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do crescimento de 1,9% apresentado em abril, o resultado negativo foi impulsionado pelos números dos meses anteriores.

• Considerado o livro fundador da prosa coreana, Contos da Tartaruga Dourada, de Kim Si-Seup, foi escrito e publicado no século 15 e acaba de ganhar sua primeira edição brasileira, pela Estação Liberdade.

• O editor e agente literário Ed Victor, responsável por vender os direitos da autobiografia de Eric Clapton, morreu no começo de junho após sofrer um infarto. Victor lutava havia anos também contra a leucemia.

• O islandês Sjón, um dos nomes convidados para a Flip, publicou seu primeiro livro no Brasil, Pela boca da baleia, pelo selo Tusquets.

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