Dom Casmurro

fevereiro 2012 / Dom Casmurro / Cesar Cardoso

Texto publicado na edição #109

Cesar Cardoso

pensando na redondilha naveguei sem ver estrelas sem tratar de tordesilhas trouxe no olhar a cegueira nervos movidos a pilha […]

> Por CESAR CARDOSO

pensando na redondilha

naveguei sem ver estrelas
sem tratar de tordesilhas

trouxe no olhar a cegueira
nervos movidos a pilha

cada perda cada queda
era uma nova bastilha

fui o lobo solitário]
que abandonou a matilha

fechei corpo vendi alma
o coração – uma ilha

me analfabetizei
desinventei a cartilha

acabei poeta do bairro
escritor da família

acima do peso dos anos
comedor de redondilha

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vida de labareda
morte de bailarina

sorte de cangaceiro
sina de ampulheta

rumo de navegante
norte de borralheiro

tempo de muçulmano
sino de doravante

ira de machu pichu
dote de saltimbanco

fonte de ama-seca
lírio de monolito

vida de bailarina
morte de labareda

 

as veredas

toda saudade é uma espécie de enterro
todo esquecido, a melhor parte do erro

nenhuma porta reabre o teu passado
nenhum futuro terá você do meu lado

todo mistério um dia traduz-se em fórmula
tudo que é certo ainda se acaba em dízima

nenhum inferno sobrevive sem seu deus
nenhum embalo confessa parir mateus

nada que presta mesmo assim se dá ao lucro
tudo que fode tem sua hora de eunuco

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