Ensaios e Resenhas

outubro 2011 / Ensaios e Resenhas / Carta a Milton Hatoum

Texto publicado na edição #131

Carta a Milton Hatoum

Milton Hatoum, mais uma vez aconteceu de, depois de uma palestra, um desses leitores minuciosos me perguntar por que, na […]

> Por DOMINGOS PELLEGRINI

Milton Hatoum, mais uma vez aconteceu de, depois de uma palestra, um desses leitores minuciosos me perguntar por que, na divulgação da palestra, foi noticiado que venci o Prêmio Jabuti de romance em 2001, se o vencedor foi você. Aí tive de, mais uma vez, explicar que seu romance Dois irmãos foi premiado em segundo lugar, e o meu O Caso da Chácara Chão em primeiro lugar. Tenho de explicar que, para a Câmara Brasileira do Livro, os três finalistas em cada categoria são considerados “vencedores”, mas só um recebe o primeiro lugar como “o vencedor”.

A CBL contribui para essa confusão, ao publicar, no seu site, não a relação dos vencedores por ordem de premiação, mas as relações dos três títulos finalistas em ordem alfabética, como faz na divulgação no período entre a revelação dos finalistas e a premiação. Talvez também tenha contribuído o fato de a Companhia das Letras, já em 2001, ter colocado tarja sobrecapando teu livro, com a informação promocional “Vencedor do Prêmio Jabuti”.

Depois, várias vezes deparei, na imprensa, com a informação incorreta de que teu livro foi “o vencedor” do Prêmio Jabuti, e isso não me incomodaria se não me trouxesse o constrangimento de ser interpelado como mentiroso… E eis que, na edição de 24 de novembro de 2010 da revista IstoÉ (numa reportagem sobre a premiação de romance de Chico Buarque como Livro do Ano, embora premiado apenas em segundo lugar na categoria romance), em rodapé aparece a  informação: “Dois irmãos, de Milton Hatoum, ficou em primeiro lugar na categoria romance, mas Invenção e memória, de Lygia Fagundes Telles, foi o vencedor (como Livro do Ano de 20o1)”.

Assim, o apropriador indébito aparece como injustiçado! Aliás, em defesa da CBL diga-se que a escolha de Livro do Ano parece levar em conta mais a personalidade do que o livro. Mas, no seu caso, depois de várias vezes sair a mesma informação incorreta na imprensa, o que fica evidente é que ou o Sr. ou a Companhia das Letras é que a fornecem, enganando assim a imprensa e os leitores, o que me motivará a, na próxima vez em que for interpelado por isso, responder que isso é coisa da Companhia das Tretas e/ou do Sr. Milton Um-Sete-Um, porque isso é estelionato cultural. Tal resposta, porém, não será necessária se o Sr. e a tua editora pararem com essa prática enganosa. Em respeito à verdade, atenta e atenciosamente, Domingos Pellegrini.

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