Dom Casmurro

novembro 2019 / Dom Casmurro / Beatriz H. Ramos Amaral

Texto publicado na edição #235

Beatriz H. Ramos Amaral

Três poemas de Beatriz H. Ramos Amaral

> Por Beatriz H. Ramos Amaral

Canto

quantas vozes-pássaros
ainda me trarão
a potência da partida no
idioma do enigma?

quantas quimeras ainda
desfilarão dentro do sonho
a que chamam vida?

quem tecerá o fio
mais longo e fugidio
no encanto da noite?

Noturno nº 1

Num teorema
de ruínas
e cantigas

pescar figuras
no oculto estranho
de um minuto

tanger a noite
no espanto dos olhos
sem reservas

voz e sombra
na garganta da palavra

Noturno nº 2

a erosão é busca
que revela os ventos

se alguém toca os sinos
na grande barca da noite

raio de luz submerge
no ventre da história

no borrão de adágios
em que a manhã desperta

e o vácuo vontade
em lâmina se abre

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