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novembro 2014 / Breves / BREVES_internacional_175

Texto publicado na edição #175

BREVES_internacional_175

Os desorientados Amin Maalouf Trad.: Clóvis Marques Bertrand Brasil 490 págs. Pela redenção Adam ficou vinte e cinco anos longe […]

> Por RASCUNHO

BREVES_Desorientados_175

Os desorientados
Amin Maalouf
Trad.: Clóvis Marques
Bertrand Brasil
490 págs.

Pela redenção
Adam ficou vinte e cinco anos longe de sua terra natal. Quando seu país de origem estava sendo devastado pela guerra, mudou-se para a França, onde se tornou um historiador renomado. Nesse meio-tempo, perdeu contato com os amigos, que partiram para diversos lugares diferentes a fim do exílio. A história toma outro rumo quando, às cinco horas, Adam recebe uma ligação: Mourard está morrendo e deseja vê-lo. Mesmo que não se falassem há vinte anos, o protagonista retorna a seu país de origem para encontrar o moribundo uma última vez, mas não chega a tempo. Aos poucos, assim, tocado pela morte daquele que já fora um bom companheiro, Adam percebe que se tornou um estrangeiro no próprio país e decide reunir novamente o grupo de amigos da juventude. Se o presente não reserva nada agradável, ao menos poderão rememorar a melhor época de suas vidas, quando partilhavam ideais e os sonhos ainda eram palpáveis, longe da condição desconfortável e do caminho indesejável que precisaram trilhar.

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20 poemas para ler no bonde
Oliverio Girondo
Trad.: Fabrício Corsaletti e Samuel Titan Jr.
Editora 34
112 págs.

Lírica urbana
Livro de estreia do poeta argentino Oliverio Girondo, publicado originalmente em 1922. Edição bilíngue, com 22 fotografias de Horacio Coppola. Os versos expõem a visão de um jovem viajante, interessado em tudo que o rodeia: mulheres, bebidas, vitrines, carros, e cidades como Buenos Aires, Paris, Veneza e Rio de Janeiro. Em Paisagem Bretã, um retrato da comuna francesa Douarnenez: o cais e os marinheiros, o campanário da Igreja e as velhinhas que oram para romper o silêncio que agride os santos; Veneza, cidade de sensualismo, exala uma brisa convidativa de cartão-postal; em outubro em Buenos Aires, as mesas estão repletas de garrafas de champanhe, enquanto o cantor dá o ritmo e os homens e mulheres dançam; longe da festa, Noturno versa sobre a noite na capital argentina, quando o silêncio toma conta e o tempo se torna ameno; no Rio de Janeiro, o sol amolece o asfalto e o traseiro das mulheres; e em Outro noturno, uma reflexão existencial embalada pela noite em Paris.

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Cortázar — Notas para uma biografia
Mario Goloboff
Trad.: José Rubens Siqueira
DSOP
303 págs.

Retrato do artista
O dia 26 de agosto deste ano marcou o centenário de nascimento de Julio Cortázar. O autor desta biografia, Mario Goloboff, foi amigo de Cortázar e pretendeu um registro íntimo e pessoal, abordando diversos temas de sua vida e obra ao passar pela sua vivência na política, questões sociais e seu experimentalismo literário. O livro, que pretende trazer à tona aspectos pouco conhecidos do escritor, demandou uma ampla pesquisa: toda a revisão de sua obra, leitura de cartas, testemunhos e documentos diversos. O conjunto expõe um Cortázar obcecado por leitura quando criança; um brilhante estudante autodidata; os primeiros amores desesperados; sua época de professor em Chivilcoy; o deslumbramento pela cidade de Paris; a compra de um apartamento na capital francesa, na década de 1960, quando recebeu uns 15 mil dólares para traduzir os contos completos de Edgar Allan Poe, o que representou seu modesto, porém seguro, florescimento econômico; uma descrição minuciosa da confecção e o lançamento do Jogo da amarelinha; e como, enfim, acabou sendo vencido pela leucemia e outros transtornos, falecendo em 12 de fevereiro, num domingo, de 1984.

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