Inquérito

fevereiro 2016 / Inquérito / Atrás do sofá

Texto publicado na edição #189

Atrás do sofá

26 perguntas a Paula Fábrio: "Não cultivo manias, mas ler é uma obsessão".

> Por RASCUNHO

Paula Fábrio: "Difícil estabelecer limites para a realidade, ainda mais para a ficção".

Paula Fábrio: “Difícil estabelecer limites para a realidade, ainda mais para a ficção”.

Paula Fábrio nasceu em São Paulo (SP), em 1970. Formou-se em Comunicação Social e é mestre em literatura. Com o romance Desnorteio, ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura de 2013 na categoria autor estreante com mais de 40 anos. Acaba de publicar Um dia toparei comigo, pela editora Foz.

Quando se deu conta de que queria ser escritora?
Escondia-me atrás do sofá, caneta e caderno nas mãos. Em voz alta, reproduzia os rabiscos do papel. Certa feita minha mãe sussurrou, precisamos levar essa menina ao psicólogo.

Quais são suas manias e obsessões literárias?
Não cultivo manias, mas ler é uma obsessão.

Que leitura é imprescindível no seu dia a dia?
Aquela que me afeta.

Se pudesse recomendar um livro à presidente Dilma, qual seria?
Como já fui livreira, antes de indicar perguntaria quais foram suas últimas leituras.

Quais são as circunstâncias ideais para escrever?
De manhã, no silêncio e sem dores na coluna.

Quais são as circunstâncias ideais de leitura?
À tarde, no silêncio e com o sol batendo nas costas.

O que considera um dia de trabalho produtivo?
Todos os dias são produtivos, de algum modo. Até mesmo uma ida à tinturaria, ou quando escrevo uma página da qual não me envergonho.

O que lhe dá mais prazer no processo de escrita?
Encontrar a palavra e, numa contingência favorável, saber que o leitor também a encontrou.

Qual o maior inimigo de um escritor?
O umbigo.

O que mais lhe incomoda no meio literário?
Os umbigos.

Escondia-me atrás do sofá, caneta e caderno nas mãos. Em voz alta, reproduzia os rabiscos do papel. Certa feita minha mãe sussurrou, precisamos levar essa menina ao psicólogo.

Um autor em quem se deveria prestar mais atenção.
O escritor brasileiro, esse desconhecido. Mas se for para eleger alguns nomes, Suzana Montoro e a Carla Kinzo, com seu Cinematógrafo.

Um livro imprescindível e um descartável.
Laços de família, de Clarice Lispector. A lista de descartáveis é terreno capcioso.

Que defeito é capaz de destruir ou comprometer um livro?
A pretensão.

Que assunto nunca entraria em sua literatura?
Todos os assuntos podem entrar no balaio da literatura.

Qual foi o canto mais inusitado de onde tirou inspiração?
Da família imaginária da minha cachorrinha bassê, cuja filha, uma pit bull vegetariana e poeta, toca greve entre os alunos da USP. Algum ilustrador se habilita para a HQ?

Quando a inspiração não vem…
Faço como todo dia, sento e escrevo.

Qual escritor — vivo ou morto — gostaria de convidar para um café?
Muitos, mas por hoje fico com Elvira Vigna e Rubens Figueiredo. Entretanto, creio que se fosse para um refresco, optaria pela Maria Valéria Rezende.

O que é um bom leitor?
Não saberia dizê-lo, mas suspeito de que seja aquele que lê com entusiasmo.

O que te dá medo?
Muitas coisas, mas destaco os rumos do mercado editorial e, de um modo geral, a manipulação cultural.

O que te faz feliz?
Ter leitores, abraçar um cachorro.

Qual dúvida ou certeza guia seu trabalho?
A dúvida — se eu consegui dizer.

Qual a sua maior preocupação ao escrever?
Não ocupar o tempo dos outros levianamente.

A literatura tem alguma obrigação?
Nenhuma, mas talvez a de ser literatura.

Qual o limite da ficção?
Difícil estabelecer limites para a realidade, ainda mais para a ficção.

Se um ET aparecesse na sua frente e pedisse “leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Não acredito nessa possibilidade, mas posso fazer uma residência literária em Varginha ou em São Tomé das Letras para me convencer.

O que você espera da eternidade?
Se ela existir, autonomia e discernimento.

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