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dezembro 2017 / Rodapé / As passagens benjaminianas: leituras (6)

Texto publicado na edição #212

As passagens benjaminianas: leituras (6)

Compreender a cidade é colocar-se diante de um caleidoscópio

> Por RINALDO DE FERNANDES

Vanessa Madrona Moreira Salles observa ainda, no ensaio A metrópole moderna, o olhar surrealista: considerações benjaminianas, que “em Passagens, Benjamin descreve a consciência da metrópole através de uma diversidade perceptiva. Compreender a cidade é colocar-se diante de um caleidoscópio, de onde não se veem somente belas imagens. A visão caleidoscópica implica em ação do observador, que agita os fragmentos coloridos formando novas constelações de formas, criando mosaicos. Na metrópole […] vários são os transeuntes que percorrem as ruas da cidade, que cultivam fantasmagorias do espaço e do tempo. Cada um anuncia uma forma de visualidade”. Aléxis Martin, num texto de 1855, citado por Walter Benjamin, anota, acerca dos transeuntes da cidade: “O industrial passa sobre o asfalto apreciando sua qualidade; o velho procura-o com cuidado, seguindo por ele tanto quanto possível e fazendo alegremente ressoar nele sua bengala, lembrando-se com orgulho que viu construir as primeiras calçadas; o poeta […] anda pelo asfalto indiferente e pensativo, mastigando versos; o corretor da bolsa o percorre calculando as oportunidades da última alta da farinha; e o desatento, escorrega”. (apud Vanessa Madrona). Para Walter Benjamin, “a percepção da cidade implica em interpretar não apenas os signos explícitos, mas, especialmente, ater-se aos dejetos, ao efêmero, ao desprezado” (cf. Vanessa Madrona).

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