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setembro 2017 / Rodapé / As passagens benjaminianas: leituras (3)

Texto publicado na edição #209

As passagens benjaminianas: leituras (3)

O estudo sobre as passagens parisienses constitui um denso trabalho de pesquisa

> Por RINALDO DE FERNANDES

No artigo Breve leitura do espaço-tempo nas Passagens de Walter Benjamin: contribuições para compreensão geográfica do capitalismo, Wagnervalter Dutra Júnior faz observações pertinentes acerca do livro de Benjamin. Para Dutra Júnior, “o estudo sobre as passagens parisienses constitui um denso trabalho de pesquisa por meio do qual Walter Benjamin […] pretendia abordar um período histórico — século 19 — em que a capital francesa experimentou um desenvolvimento intenso das relações capitalistas”. As passagens ajudam a “acompanhar parte do percurso benjaminiano […] para compreender a produção do homem nessa geografia da circularidade do capital”. Passagens é um estudo primordial da “modernidade capitalista e suas expressões espaciais”, uma vez que “os apontamentos realizados por Benjamin […] demonstram bem a estruturação de uma lógica espaço-temporal convertida à funcionalidade mercantil”. O pesquisador baiano anota no artigo: “[Benjamin] situa o surgimento das passagens parisienses nos quinze anos subsequentes a 1822 e o comércio têxtil foi o impulso inicial para que as passagens ocupassem as ruas da capital francesa. O ciclo do capital […] é intensificado e os magasins de nouveautés, primeiro tipo de estabelecimento a manter grandes estoques de mercadorias, sendo precursor das lojas de departamentos, começam a integrar os cenários das passagens da capital francesa e suas ruas […]. As passagens põem a cidade como vitrine. A cidade mercantil a serviço da reprodução do capital ganha corpo nas passagens. As mercadorias de luxo expostas diante do fluir dos citadinos exercem fascínio para quem passa”.

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