Rodapé

julho 2017 / Rodapé / As passagens benjaminianas: leituras (1)

Texto publicado na edição #207

As passagens benjaminianas: leituras (1)

"Passagens" é uma obra fundamental da historiografia do século 20

> Por RINALDO DE FERNANDES

Walter Benjamin, autor de Passagens

Walter Benjamin, autor de Passagens

Passagens é a obra mais arrojada do filósofo e crítico literário alemão Walter Benjamin, que a produziu entre 1927 e 1940, ano de sua morte. Os especialistas prosseguem afirmando que Passagens é uma obra fundamental da historiografia do século 20. Uma obra que historia, como poucas, o cotidiano da modernidade. Como se sabe, nessa obra Walter Benjamin tem como eixo de suas reflexões a cidade de Paris, a “capital do século 19”, notadamente as suas galerias de comércio. Willi Bolle e Olgária Matos organizaram em 2006 a edição brasileira de Passagens, contendo 1.168 páginas e lançada pela Editora da UFMG, junto com a Imprensa Oficial de São Paulo. Willi Bolle, quando do lançamento de Passagens, em entrevista à Folha de S. Paulo, afirmou: “Trata-se de uma das obras historiográficas mais significativas do nosso tempo. A partir de Paris, a ‘capital do século 19’ — especialmente suas galerias comerciais como ‘arquipaisagem do consumo’ —, são apresentados a história cotidiana da modernidade com figuras como o flâneur, a prostituta, o jogador, o colecionador e os meios de uma escrita polifônica que vai da luta de classes até a moda, a técnica e a mídia. Este hipertexto com mais de 4.500 ‘passagens’ constitui um dispositivo sem igual para estudar a metrópole moderna e, por extensão, as megacidades do Terceiro Mundo”. Para Willi Bolle, Passagens “têm a qualidade de nos fazer reconhecer o espaço urbano em que vivemos e de nos estimular a refletir sobre ele”. Além disso, “uma qualidade exemplar dessa obra de Benjamin consiste em saber transmitir o conjunto dos conhecimentos das Ciências Humanas não apenas por meio de conceitos, mas também através da sensibilização, combinando da melhor maneira os recursos do pesquisador e do escritor”.

Print Friendly