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maio 2011 / Rodapé / Antologias de contos: Quem faz? Que critérios utiliza? (3)

Texto publicado na edição #134

Antologias de contos: Quem faz? Que critérios utiliza? (3)

Na coletânea Obras-primas do conto brasileiro, lançada em 1966 pela Livraria Martins Editora, com seleção, introdução e notas de Almiro […]

> Por RINALDO DE FERNANDES

Na coletânea Obras-primas do conto brasileiro, lançada em 1966 pela Livraria Martins Editora, com seleção, introdução e notas de Almiro Rolmes Barbosa e Edgard Cavalheiro, os organizadores se basearam em enquete realizada pela Revista acadêmica, do Rio de Janeiro, para escolher os dez “maiores” contos brasileiros. Ampliaram a enquete da revista e reuniram 28 contos na coletânea. Os organizadores começam na “Introdução” discutindo o problema do que seja a identidade da literatura brasileira. Àquela altura — constatam — a nossa literatura já afastara “completamente” a influência portuguesa, e a influência francesa seguia “o mesmo caminho”. O Brasil já podendo naquele momento, portanto, “apresentar ao mundo uma literatura que se ainda não é integralmente original, já é essencialmente brasileira”. A literatura “essencialmente brasileira”, segundo os organizadores da coletânea, é aquela que põe “em relevo aspectos não só sociais, como psicológicos, peculiarmente brasileiros”. E ainda: esses aspectos são “vistos por olhos de brasileiros”, que “se expressam num idioma que conta inúmeras singularidades — um idioma mais elástico e macio, que dispõe de sugestivo vocabulário e que de certo ponto de vista, já não é mais nem inteiramente português, nem tupi, nem de Angola”. A nossa literatura, assim, já possuiria “todos os predicados que Voltaire exigia de uma literatura para esta se tornar a ‘alma da raça’”. (CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO)

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