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julho 2016 / Rodapé / Anotações sobre romances (34)

Texto publicado na edição #194

Anotações sobre romances (34)

Nenhuma reputação se sustenta diante do narrador de Marcelo Mirisola

> Por RINALDO DE FERNANDES

Marcelo Mirisola, autor de Animais em extinção

Marcelo Mirisola, autor de Animais em extinção

Nenhuma reputação se sustenta diante do narrador de Marcelo Mirisola. Em Animais em extinção, romance de 2008 do escritor paulista, o pessoal do hip-hop, os tipos mundanos da Praça Roosevelt e até um escritor ilustre como Jorge Luis Borges são cutucados, desautorizados. Como definir o narrador de Animais em extinção? Canalha, mesquinho, preconceituoso (profundamente!), desabusado, desmedido, atirado, insensato, incorreto politicamente… São muitos os termos. A linguagem intempestiva dele chama bastante a atenção, sendo o palavrão uma de suas marcas — mas também o termo erudito, a apreciação teórica ou conceitual (ao modo dele!). Um erotismo bizarro também é marca da narrativa, em que o escatológico brutaliza e fere o “bom gosto” literário. O talentoso cronista de costumes aparece em vários capítulos e andamentos do livro — e aí são vários os tipos e elementos da cultura contemporânea que são ironizados (e até barbarizados). Mas ainda me pergunto sobre quem é esse narrador? Que tipo ele quer significar em nossa sociedade? Aparentemente, o urbano, de classe média sem perspectiva, buscando sentido na violência (trata-se de um narrador muito violento!).

>>> Continua na próxima edição.

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