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março 2016 / Rodapé / Anotações sobre romances (31)

Texto publicado na edição #191

Anotações sobre romances (31)

A paródia, o pastiche, a ironia em "A guerra do fim do mundo"

> Por RINALDO DE FERNANDES

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Como indicado já no próprio título, o livro Canudos — conflitos além da guerra: entre o multiperscpectivismo de Vargas Llosa (1981) e a mediação de Aleilton Fonseca (2009), dos pesquisadores Adenilson de Barros e Gilmei Francisco, estuda de modo mais detido, da tradição de romances que enfocaram o conflito de Canudos, A guerra do fim do mundo, do peruano, Prêmio Nobel, Mario Vargas Llosa, e O pêndulo de Euclides, do brasileiro (baiano, professor de literatura na Universidade Estadual de Feira de Santana) Aleilton Fonseca. Isto para mostrar, a partir dos principais procedimentos retóricos, o tipo de reinterpretação que os dois romancista propuseram da Guerra de Canudos. Como dizem os pesquisadores, nessas duas narrativas “os conflitos gerados pela questão de Canudos vão além da guerra e se estendem amplamente no espaço do discurso, dos enfrentamentos ideológicos e de tantas possibilidades que a manipulação da linguagem nos oferece”. Assim, a sustentação teórica básica é situar, por um lado, A guerra do fim do mundo como integrante do chamado Novo Romance Histórico latino-americano, com suas modalidades de escrita que operam a paródia, o pastiche, a ironia, enfim, a desconstrução da perspectiva histórica oficial, dessacralizando-a, e, por outro, tomar O pêndulo de Euclides como um romance “de mediação”, ou seja, como uma narrativa que combina ou hibridiza as características do romance histórico clássico e as desse mesmo Novo Romance Histórico latino-americano. Numa palavra, que combina/hibridiza tradição e subversão.

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