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janeiro 2016 / Rodapé / Anotações sobre romances (27)

Texto publicado na edição #187

Anotações sobre romances (27)

  Bichos de conchas, da baiana Gláucia Lemos, obteve, em 2007, o II Prêmio de Literatura da UBE. Tem uma […]

> Por RINALDO DE FERNANDES

 

Gláucia Lemos

Gláucia Lemos, autora de Bicho de conchas

Bichos de conchas, da baiana Gláucia Lemos, obteve, em 2007, o II Prêmio de Literatura da UBE. Tem uma gênese curiosa: foi inspirado, até certo ponto, no filme A ostra e o vento, de Walter Lima Jr. (filme que, por sua vez, foi baseado no romance homônimo do cearense Moacyr C. Lopes). Bichos de conchas é um romance praieiro, de um lirismo, por assim dizer, ensolarado, mas também úmido de chuva, de tempestade. Tempestuosa é a vida da protagonista Celeste, que busca uma liberdade impossível, ilusória. Celeste, como as gaivotas que ela tanto admira, quer o voo, mas bate no solo duro da vida. Ama Tadeu, que é inseguro e até mesmo intempestivo, e encontra paz e equilíbrio ao lado de Lídio, artista plástico, ser de sensibilidade. E de grandeza. De alma extensa. Celeste se divide entre dois homens — um tem o corpo pelo qual ela se apaixona; o outro, a alma valorosa que a apazigua e com a qual ela quer apaziguar e encher de bons fluidos a filha. A perda da filha, ao final da trama, é uma espécie de punição que Celeste sofre por desandar na existência, por ir em busca de horizontes inviáveis. Celeste erra em seu cálculo existencial, erra em seu delírio de liberdade. E é salva por Lídio, que representa no romance a própria realidade — mas uma realidade em que vigoram o afeto, o perdão, a aposta no humano.

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