Dom Casmurro

outubro 2011 / Dom Casmurro / Alejandro Acosta

Texto publicado na edição #129

Alejandro Acosta

TRADUÇÃO: Ronaldo Cagiano Malambo Quando migrarem as grandes areias, descerá da figueira munido de mapas, notas e minúcias. Quando migrarem […]

> Por ALEJANDRO ACOSTA

TRADUÇÃO: Ronaldo Cagiano


Malambo
Quando migrarem as grandes areias,
descerá da figueira
munido de mapas, notas e minúcias.

Quando migrarem as grandes areias,
porá na mochila de ataque
abrigo, obstinação e água para os cumes sem neve.

Com o próprio peso escalará
e pelo estreito do vale ocultará a sua sombra
nos vestígios de uma ravina
quando migrarem as grandes areias.

Subirá selva adentro num parapeito.
Não veio para olhar os cactos alongando-se.

Talvez observe sem se aperceber do perigo.

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Estilo

Deixei para trás o campo da contenda
Deixei para trás as migalhas de pão do regresso seguro
Para trás ficaram
o aguilhão que sonha com as fases dos corpos
o sítio da flecha inicial

Como quem um longo trecho sobre brasas
como os olhos do mar,
como as últimas forragens
os mercados de futuro e
as faltas do estoque que acabaram.

Falo do tempo morto de minha outra vida.

Um hormônio, uma enzima, uma casualidade,
a desobediência é este ar fresco nos meus velhos pulmões.

O universo está colidindo com outra coisa.

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Sedução dos venenos
a Claudio

São os rosados venenos os indicados para a minha morte
eu soube na tarde sangrenta,
essa flor de amor desfeita entre as folhas.

Já não digas nada.
Nossa canção presente
como uma precisa alquimia propiciará sua derrubada
e todos guardamos, amorosos, nossa penumbra.

Teremos sempre à frente um abismo.
Saboreio a fumaça
e a deixo morrer contra a noite imensa
— a noite entra na noite e na lua,
essa mulher morena, nos assedia.
Sempre à frente teremos um abismo.

À frente sempre está o abismo.

Uma agitação avermelha a água
enquanto distingo o meu fantasma
que me segue se o solicito.

Convidam-me a saltar.

Não está provado que nenhum homem não tenha voado nunca.

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