Inquérito

julho 2018 / Inquérito / A dúvida como guia

Texto publicado na edição #219

A dúvida como guia

26 perguntas a Flávia Lins e Silva

> Por RASCUNHO

Flávia Lins e Silva, autora de Diário de Pilar na Grécia.

Flávia Lins e Silva, autora de Diário de Pilar na Grécia.

Flávia Lins e Silva nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1971. Formada em jornalismo, a literatura infantojuvenil é o centro da sua produção literária. Como leitora, a poesia guia seus dias. É autora, entre outros, de Diário de Pilar na Grécia, Diário de Pilar na Amazônia (ambos traduzidos para o alemão, espanhol, francês, chinês), Mururu no Amazonas, ganhador do prêmio de melhor livro do ano, categoria juvenil, em 2011, pela Fundação Nacional do Livro. Flávia também escreve roteiros para cinema e televisão e criou o seriado Detetives do Prédio Azul para o canal Gloob. Atualmente, vive em Lisboa.

• Quando se deu conta de que queria ser escritora?
Ainda era adolescente e escrevia poemas e contos, quando confessei pro meu diário.

• Quais são suas manias e obsessões literárias?
Sublinhar livros e anotar frases que me encantam em caderninhos. Amo caderninhos, não vivo sem eles.

• Que leitura é imprescindível no seu dia a dia?
Poemas são uma espécie de vitamina para quem lida com as palavras.

• Se pudesse recomendar um livro ao presidente Michel Temer, qual seria?
Fausto, de Goethe.

• Quais são as circunstâncias ideais para escrever?
Adoro rascunhar ideias em bloquinhos, pela rua, em jardins ou cafés. Mas na hora de escrever mesmo, preciso escrever em casa, seja lá onde for a casa no momento.

• Quais são as circunstâncias ideais de leitura?
Numa rede, de férias, em Boipeba, na Bahia, ai que saudade desse tal mundo ideal, mas que na verdade precisamos carregar dentro de nós para onde formos.

• O que considera um dia de trabalho produtivo?
Quando uma nova ideia me surpreende e ganha forma.

• O que lhe dá mais prazer no processo de escrita?
Descobrir o que ainda não conheço, percorrer emoções ainda não navegadas.

• Qual o maior inimigo de um escritor?
Excesso de obrigações. Tempo é a riqueza que mais ambiciono.

• O que mais lhe incomoda no meio literário?
Os desencontros.

• Um autor em quem se deveria prestar mais atenção.
Tenho dois xodós que nem todos conhecem e que admiro muitíssimo: o italiano Antonio Tabucchi e o uruguaio Mario Benedetti.

• Um livro imprescindível e um descartável.
Fico com os imprescindíveis: Grande sertão: veredas, do mestre Guimarães Rosa, e Livro do desassossego, de Fernando Pessoa.

• Que defeito é capaz de destruir ou comprometer um livro?
Como diz o Manuel de Barros: o verbo tem que pegar delírio. Pra mim, ficção também tem que pegar delírio pra decolar. Quando fica muito apegada à realidade, não me carrega.

• Que assunto nunca entraria em sua literatura?
Não gasto muito tempo com os nuncas…

• Qual foi o canto mais inusitado de onde tirou inspiração?
Anavilhanas, na Amazônia. Um universo dentro do nosso mundo!

• Quando a inspiração não vem…
Saio para caminhar em algum parque, preparo um chá ou como ovinhos com recheio de amendoim.

• Qual escritor — vivo ou morto — gostaria de convidar para um café?
Convidaria um músico, que era um grande poeta: Tom Jobim.

• O que é um bom leitor?
Aquele que lê com prazer.

• O que te dá medo?
A intolerância.

• O que te faz feliz?
Tantas coisas… Ouvir a risada da minha filha Paloma, caminhar perto da natureza, papear com os amigos, ler ao lado de quem se ama, meditar, pedalar, mergulhar.

• Qual dúvida ou certeza guiam seu trabalho?
Com certeza, muitas dúvidas. Elas são grandes guias, não me deixam sossegar um só instante.

• Qual a sua maior preocupação ao escrever?
Ser livre, cada dia mais livre por dentro.

• A literatura tem alguma obrigação?
Nenhuma.

• Qual o limite da ficção?
Nenhum.

• Se um ET aparecesse na sua frente e pedisse “leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Darcy Ribeiro.

• O que você espera da eternidade?
O éter…

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